Romulo Netto

Romulo Netto

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Romulo Carvalho Netto, com mais de 10 livros publicados, residente na cidade de Cuiabá – MT, jornalista. Foi servidor da Universidade Federal de Mato Grosso onde exerceu por vários anos a Presidência da Comissão Permanente de Concurso Vestibular. Posteriormente exerceu a Supervisão da Imprensa Universitária, chegando a ser Presidente da Comissão Editorial, que na realidade era a Editora Universitária. Foi um dos criadores da Revista Universidade. Aposentado, trabalhou por um ano e seis meses na Assessoria da Superintendência de Política Indigenista, órgão da Casa Civil do Governo do Estado de Mato Grosso. Coautor do livro Universidade Ameríndia – a moderna política indigenista de Mato Grosso.

Por diversos anos escrevia, diagramava e imprimia artesanalmente seus livros de poesia.

Atualmente dedica seu tempo à literatura buscando mostrar ao Sul Maravilha (eixo Rio-São Paulo) que nos estados periféricos há bons escritores, falta-lhes a boa vontade de críticos e editoras em garimpá-los nos mais diversos estados.

Em entrevista ao projeto Divulga Escritor o escritor Romulo Netto, conta-nos sobre sua trajetória literária, nos dá dicas e cita melhorias para o mercado editorial no Brasil.

 

“A criança que cresce num lar onde ninguém lê, dificilmente adquirirá o hábito da leitura. Embora meus pais não lessem romances ou poesias, eles nos incentivaram a ler e ler. Éramos leitores vorazes. Hoje, os pais não mais compram livros para seus filhos, desde cedo dão a eles smartfones, ifones, ipads e a imensa parafernália tecnológica existente no mercado.”

Boa Leitura!

 

SMC - Escritor Romulo Netto é um prazer tê-lo conosco no projeto Divulga Escritor, conte-nos quando começou seu gosto pela escrita? Em que momento decidiu publicar seu primeiro livro?

Romulo Netto - Meu gosto pela escrita iniciou no exato instante que tomei gosto pela leitura. Isto ocorreu quando tinha nove anos de idade. Venho de uma família humilde. Meus pais eram semianalfabetos, porém não descuidavam da educação dos livros. Papai era guarda-fios dos Correios, assinava o jornal Correio da Manhã, que demorava quatro dias até chegar em nossa cidade. Vendo meu interesse pela leitura permitiu que eu comprasse na Casa Rocha (armazém de secos & molhados), em Paracatu-MG, a maravilhosa coleção de livros infantis publicada pela da Editora Melhoramentos. Aos onze anos pulei para A Carne, de Júlio Ribeiro, Iracema, de José de Alencar, Dom Casmurro, de Machado de Assis e a fabulosa coleção Viagem Através do Brasil. Depois me enfiei na leitura de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Carlos Drmummond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna Érico Veríssimo, Aníbal Machado, Jorge Amado, Hemingway, Dostoievsky, Faulkner, Robert Frost e Jerzy Kosinski entre tantos outros. Da leitura para a escrita foi um passo. Meus poemas iniciais aconteceram quando tinha doze anos. De lá para cá apenas dei continuidade à vontade nata de escrever, razão pela qual escolhi o curso de Comunicação Social.

Inicialmente publiquei meus trabalhos no mimeógrafo. Livro impresso mesmo só aconteceu em 1980, com Ameríndia. Tive a honra de receber em Cuiabá, o embaixador do Peru, no Brasil, Rocca Zella, a embaixatriz e o adido cultural para o lançamento.

SMC - Você hoje é autor de vários livros de poesia: Transitoriedade Palavra; Cidades Ciudades e Os Deserdados da Sorte que temas você aborda em suas poesias através de seus livros?

Romulo Netto -Cidades Ciudades” é um livro que escrevo sobre diversas cidades do mundo, mas das quais apenas conheço Brasília, Belo Horizonte, San Juan de Teotihuácan e México. Em “Transitoriedade Palavras” há um misto de poesia romântica (poemas escritos quando ainda era jovem) e poemas sobre um índio que sai do Xingu e vai morar debaixo de um viaduto em São Paulo, sua tristeza com a cidade grande e a saudade da selva. “Os Deserdados da Sorte”, que eu tive o prazer de receber a seguinte mensagem do poeta Manoel de Barros; Recebi Os Deserdados da Sorte. Li com agrado seus poemas. Acho que quem apresenta o poeta é a poesia que o poeta apresenta. E nisso você está apresentado. Afetuoso abraço Manoel de Barros. Este livro está dividido em três partes. Na primeira os poemas versam sobre a dor da perda irreparável, da agonia de um rio. Na segunda, apresento um sobrevivente de um mundo desprovido de sonhos. A última parte: Um Chão de Quase Coisas, surge Filisberto das Âncoras, pobre sertanejo, sem heranças e sem família, até que surge em sua vida Hemengarda Epifânia e dá-lhe um Norte, doutrinando politicamente, fazendo ver e acreditar que para o faminto a cegueira de um olho é pior que a cegueira das letras.  

SMC - De forma geral qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho? Que mensagem você quer transmitir para as pessoas através de seus escritos?

Romulo Netto - Escrevo para o público adulto, principalmente, mas estou trabalhando textos infanto-juvenis, tais como: O Mundo Encantado de Serapião Fala Mole, A Menina Sem Tranças, O Menino e a Peroba-Rosa e É Proibido Ler, todos ainda inéditos. A mensagem que procuro transmitir é a da igualdade social, da luta do bem contra o mal. Nos inéditos abordo temas como racismo e bullying.

SMC - Em que você se inspira para escrever seus livros de Contos: Contos dos Gerais; As Jagunças, Filisberto das Âncoras, Tatão Malemais, o Capador de Anjos, Tarenço, o Capanga de Lata, Não Fala Comigo! A História de um Autista; O Infinito Desespero de Ementério e Serapião Fala Mole? Tem algum livro que você destaca como o que mais se aproxima de uma história real?

Romulo Netto - Na verdade livros de contos são apenas dois: Contos dos Gerais e Serapião Fala Mole. Os outros, exceção para Não Fala Comigo! A História de um Autista e O Infinito Desespero de Ementério, são romances.. Cada capítulo é como se fosse um conto e pode ser lido em sequência ou alternadamente, o leitor não sentirá nenhuma dificuldade ou embaraço na leitura. Em todos eles há um pouco de realidade, pois que descrevo muito da minha infância. Sou sertanejo e o sertão do Gerais das Minas está presente em cada página de meus romances e contos.

SMC - Escritor Rômulo, você é Coautor do livro: Universidade Ameríndia - a moderna política indigenista de Mato Grosso, conte-nos um pouco sobre este livro, como surgiu a ideia de escrever sobre este tema?

Romulo Netto - Quando trabalhava na Superintendência de Política Indigenista, órgão da Casa Civil do Governo do Estado de Mato Grosso, por força do ofício, mantive contato com índios de diversas etnias e senti a necessidade de tentar ajudá-los. Enveredei na pesquisa sobre indígenas em outros países e fiquei fascinado com o grande número de Colleges existentes nos Estados Unidos destinados aos chamados “peles vermelhas”. Então pensei, porquê não criar no Brasil, especificamente uma universidade onde somente os indígenas fossem seus alunos? Daí juntamente com os ex-indigenistas Izanoel Sodré, Idevar Sardinha e o cacique Aritana Yawalapiti, escrevi o livro Universidade Ameríndia – a moderna política indigenista mato-grossense. Seria uma universidade ímpar, cuidei de idealizar o câmpus em formato de uma aldeia indígena, apta a receber índios das mais diversas etnias brasileiras, latino-americanas, norte-americanas, o aborígene australiano e o negro tribal africano. Nessa universidade teríamos apenas quatro cursos: Cooperativismo, Administração de Empresas Rurais Indígenas, Gestão Ambiental e Turismo. Os cursos das universidades regulares seriam feitos através de intercâmbio. A universidade contaria com um Festival Interétnico de Música e Dança, uma Feira Interétnica de Artesanato, um Programa de Etnoturismo e  um Fórum Permanente de  Medicina no qual faríamos constantemente o encontro dos cientistas, médicos e pesquisadores brancos com os pajés para uma constante troca de conhecimento. Contaria com a participação de observadores de laboratórios farmacêuticos, que se comprometeriam em destinar um percentual dos ganhos obtidos com patentes de remédios os quais tenham o princípio ativo originado das plantas usadas pelos indígenas. A construção da estrutura física seria financiada pelos grandes empresários do agronegócio que possuíssem seus empreendimentos em terras contíguas às reservas. Criaríamos, também, a Bienal Internacional do Livro e da Literatura Indígena, a ser realizada, pela primeira vez em Mato Grosso e depois nos outros países que se dispusessem a sediar o evento. Infelizmente não houve vontade política por parte do governo para que a ideia prosperasse.

SMC - Onde podemos comprar os seus livros?

Romulo Netto - Pela internet na Livraria Cultura, Livraria Saraiva e na própria editora Carlini & Caniato Editorial, pelo e-mail comercial@tantatinta.com.br ou carmen@tantatinta.com.br

SMC - Escritor Romulo, conte-nos sobre seus próximos projetos literários? Quais os seus objetivos como escritor?

 Romulo Netto - Minha prioridade é tentar publicar os inéditos que são: Torturados – tempos de bullying, O Mundo Encantado de Serapião Fala Mole, O Último Minuto, Simplesmente Gerais, O Menino e a Peroba-Rosa, A Menina Sem Tranças, Bernardo, o Meu Cão-guia, É Proibido Ler, A Revolta dos Livros e Buritis.

Enquanto escritor meu principal objetivo é furar o bloqueio imposto pela crítica e, os poucos programas de televisão que tratam da literatura, mostrando que nos estados periféricos existe vida literária. A literatura brasileira não é feita apenas no Sul Maravilha (leia-se eixo Rio-São Paulo). O Divulga Escritor tem tudo para ser nosso porta-voz.

SMC - Você já trabalhou como presidente da Comissão Editorial na Universidade Federal de Mato Grosso, de acordo com sua experiência literária, quais as principais dificuldades que você destaca para os escritores no mercado literário brasileiro?

Romulo Netto - Não tecerei comentários sobre os escritores do Sul Maravilha. Atenho-me apenas a situação em que me encontro enquanto escritor que reside em um estado periférico e só aparece quando o assunto é o agronegócio ou desmatamento. Acho um absurdo as livrarias abocanharem de quarenta a cinquenta por cento do preço de capa do livro, enquanto o autor fica apenas com dez por cento. As editoras dos estados periféricos são pequenas e quase nunca dispõem de recursos para investir na divulgação e distribuição. Ademais o público não quer saber da produção local, quer ler o que vem de fora, não se importando com a qualidade. Estrangeiro é sinônimo de bom para a grande maioria dos leitores. Enquanto um livro de renomado autor estrangeiro começa com tiragem de até 500.000 exemplares, os nossos têm apenas 2.000. Best-seller nacional é quem vende tão apenas 10.000 exemplares.

SMC - Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil?

Romulo Netto - Não é que o livro seja um produto caro, nas maioria das vezes não o é. É preciso uma mudança radical na educação de base, e, principalmente familiar. A criança que cresce num lar onde ninguém lê, dificilmente adquirirá o hábito da leitura. Embora meus pais não lessem romances ou poesias, eles nos incentivaram a ler e ler. Éramos leitores vorazes. Hoje, os pais não mais compram livros para seus filhos, desde cedo dão a eles smartfones, ifones, ipads e a imensa parafernália tecnológica existente no mercado. Lembro-me de que participei de uma única feira de livro no interior de Mato Grosso. A criança estava vidrada num livro do estande da editora que me publica. Ela agarrou o livro e insistiu para que a avó o comprasse. Eis que surge a mãe e aos berros diz: não é para comprar nada. Lá em casa tem um montão de livros e ele não lê nada. Calou a pergunta: será que os livros que ela disse ter em casa foram escolhidos pelo filho ou imposto por ela? Deixemos nossas crianças, sob nossa supervisão, escolher o que querem ler, vamos incentivá-las, somente assim a médio prazo formaremos milhões de leitores.

As pequenas e médias editoras deveriam receber tratamento diferenciado por parte do governo federal, principalmente.

Elas deveriam unir forças e criar um sistema próprio de divulgação e distribuição, esperar que o governo acuda é utopia.

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação, muito bom conhecer melhor o Escritor Romulo Nétto, que mensagem você deixa para nossos leitores?

Romulo Netto - Antes de tecer minha mensagem quero agradecer a você Shirley M. Cavalcante a oportunidade que deu a este velho jornalista e escritor fazendo a presente entrevista.

Não posso deixar de agradecer a Ramon Carlini, meu editor e incentivador, pela oportunidade que me deu abrindo as portas da Carlini & Caniato Editorial, bem assim à sua sócia Elaine Caniato, sem os dois parceiros e amigos jamais teria conseguido publicar qualquer dos meus livros.

A minha mensagem é calcada na esperança de que os leitores se multipliquem. Através da literatura podemos viajar para lugares inimagináveis. A mente nos leva através do tempo a qualquer região do planeta Terra. Cultivem a leitura como um bem precioso. Trate o livro com carinho, dele só recebemos boas lições.

 

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