Sair por aí sem rumo, sem prumo - por Silva Neto

Sair por aí sem rumo, sem prumo - por Silva Neto

 SAIR POR AÍ SEM RUMO, SEM PRUMO  

 Por SILVA NETO

www.silvanetoesilva.com.br

 

Um vento sudeste tênue e intermitente invade os vidros semiabertos do meu carro. Rolando em meia velocidade naquela pista vazia, lá vamos nós, rumo ao desconhecido.

Sempre gostei de aventuras, digo, de conhecer o desconhecido em termos de lugares nunca antes estado. Praias desertas ou, quando menos, pouco frequentadas; cachoeiras íngremes, desérticas; caminhadas, trilhas, montanhas, cumes; planícies, grutas, cânions, e, por que não dizer dum explorador nato, talvez descendente de “Bandeirantes” como eu, pela descendência portuguesa?!

 É!... Porque tenho três: indígena, africana e portuguesa.

Orgulho-me muito disto, ou melhor, agradeço aos meus ancestrais pelas características genéticas da raça. Porque acredito, “o corpo procede do corpo”, como ensinou Jesus.

No entanto, por via de aprendizado e de exemplos paternos herdei coragem, persistência, paciência, frieza, alegria, honestidade e, junto às heranças espirituais, capacidade de amar, perdoar e de ser humilde perante a grandeza da natureza de Deus. Por isso a procuro com tanto afinco e curiosidade.

Não sou mau fotógrafo. Mas, gosto de registrar as paisagens na mente. Assim, fotografo minha infância e todo esse longo caminho percorrido desta vida com profunda recordação. É só fechar os olhos...

Além de fotografar, gravo com olhos e mente o cântico dos pássaros, o rufar do vento nas folhagens, o sibilo dos insetos, o coaxar dos sapos, e por que não o cântico do cosmopolita Bem-te-vi. Digo cosmopolita, porque esse pássaro foi o pioneiro em invadir as cidades.

_Bem-que-eu-vi! _Bem-que-eu-vi!  _Viu o que? Rapaz! _ Por que tu ficas xeretando pelas janelas até dos apartamentos nas grandes cidades?

_Será que estás olhando mulher nua se trocando?

_Bem-que-eu-vi!  Bem-que-eu-vi!  _Viu nada, rapaz!

“Opa!” O pneu furou! Resmungos por todos os lados...,

Calma, gente! Foi só um pneu! Façam um belo xixi nos matos enquanto o troco!

Límpida manhã, estrada à frente e o desconhecido sendo descoberto a cada curva, enseada, subidas e baixios.

Vamos cantar gente?! Música não distrai motorista. Melhor cantar que escutar músicas no CD. Melhor vento natural que ar condicionado. Natureza não gosta de tecnologia. Natureza é bruta.

 Pássaros cruzando a estrada, ovelhas assustadas, gente vendendo frutos; cavalos, éguas, bois, vacas, rios, açudes, cachoeiras e matos, muitos matos.  Isto é que é vida!

É o mesmo que ler um bom livro. A gente viaja, ri, chora, aprende, grava na cachola.

É como disse o Cervantes. “Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito”.

_Quando será a próxima, papai?

_Nem terminamos a atual! 

_E quando acaba? _ Nem eu sei filha! 

                Somos viajantes do tempo.

 

 

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