Sangue e Lágrimas - por Elair Cabral

Sangue e Lágrimas - por Elair Cabral

 As leis de incentivo à cultura  vigentes no Brasil, caminham rumo ao descrédito,  pelas  polêmicas em torno dos critérios de seleção dos projetos. O que seria para ser considerado uma ajuda para toda a classe artística acaba virando motivo de disputa e acomodação.  Concordo que, as citadas leis não são o ideal, mas ao menos, já são alguma coisa. O melhor seria que cada artista pudesse bancar sua própria produção, mas aí é que o quadro muda a imagem e a pintura transforma-se em rabiscos indefinidos! Explico...  Considerando a forma apática com que somos tratados, em detrimento por nossa obscuridade, a situação é extremamente desconcertante... Humilhante seria o termo mais adequado, pois, posso falar por experiência própria, sem fantasias.  O bater de porta em porta, o grito por um empurrão, nos primeiros, capengas e oscilantes passos de nossa caminhada literária, acaba por nos projetar sim, para o abismo da descrença e do desânimo. Lutamos com bravura a ponto de sentirmos o sangue nos olhos, as lágrimas a vincarem o rosto e gosto de sal na boca...

A caminhada da mendicância artística compara-se ao peso da cruz, à chicotada dos desmandos com o dinheiro público que não investe (entre outras necessidades fundamentais) em cultura artística, nem toma conhecimento se o teatro é popular, ou se ao invés de todos os filhos deste chão entrarem no mundo sem volta das destruidoras drogas, se entorpecessem  de laser culto e enriquecedor como:  de música de qualidade, de poesia, de arte, enfim... Com entusiasmo se derramassem sobre suas próprias culturas valorizando raízes e rumando para o desenvolvimento integral da vida sustentável. 

Até quando nós, artistas, ainda encobertos pelas cinzas do incógnito, teremos que esperar para que nossos livros sejam editados e recebamos a recompensa, tendo nosso coração lido e levado pelo vento do reconhecimento a todas as mentes sensíveis e admiradoras de uma boa leitura?

Até quando, nossos projetos continuarão como páginas em branco, acompanhando a via crucie, a jogar o balde no fundo do poço, em busca da água do incentivo no sentido literal, e este voltar seco, nos massacrando e nos envergonhando por sermos cidadãos contribuintes em cada centavo do nosso suor... Negados em nosso direito de, por falta de recursos financeiros, publicar um simples livro, sonho dourado e impossível para os degredados deste rico e poderoso país? Os diáfanos e ricos... Artistas...

 

Elair Cabral

18/04/14

 

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