Segunda parte da entrevista de Marcelo Garbine para o blog Se liga no barulho de João Paulo Salvatore

Segunda parte da entrevista de Marcelo Garbine para o blog Se liga no barulho de João Paulo Salvatore

Segunda parte da entrevista de Marcelo Garbine para o blog "Se liga no barulho" de João Paulo Salvatore

 
 

1 – Liara Alencar – Eu sou uma das leitoras do se liga e vi o seu site, casa do mingau, conte mais sobre ele.

Mingau: Olá, Liara! O meu site foi estruturado para facilitar o acesso do leitor. Facilmente, pelas barras laterais, o visitante pode encontrar a seção de seu interesse. Com apenas um clique, visualiza as subdivisões e escolhe o grupo de conteúdos que deseja explorar. Foi a melhor forma que encontrei de distribuir os conteúdos diversificados que produzo, dada a extensa variedade de gêneros, não apenas literários, contudo no formato da mídia também, porque além de estar subdivido em crônica, humor, poesia, música, etc., também estão dispostos em textos, áudios, vídeos, slides, dentre outros moldes. Também é possível fazer downloads e interagir através do "Baralho Literário",  "Biscoito da Sorte" e "Relíquia Cultural". Afora o sítio do recheio criativo, considerei importante também disponibilizar links externos para entrevistas que concedi; livros que prefaciei, participei ou fui citado; prêmios que ganhei; sites de parceiros e amigos; revistas e jornais que publicaram matérias sobre o meu trabalho; etc. Também existe um espaço reservado para os meus textos que foram vertidos para os idiomas inglês e espanhol. O site está em constante mudança. Para ajudar a localização de produções novas e relevantes, criei os seguimentos "novidades" e "destaques". Espero que você goste! 

 

2 – Paola Mirela – O que você acha da mistura de gêneros, no seu caso, como isso te beneficia, ou como isso te atrapalha.

Mingau: Olá, Paola! A diversidade da minha produção artística já me preocupou bastante, basicamente em dois fatores: primeiro em relação à manutenção do foco e, em segundo, quanto ao entendimento e à abstração do público. A priori, tive receio de muito fazer em detrimento de uma prioridade. Posteriormente, achei que o humor ácido pudesse confundir quem aprecia a parte romântica e vice-versa. Depois de descobrir que o grande humorista do "Porta dos Fundos" Gregório Duvivier também é poeta e transita bem entre as duas artes, assim como o comediante Danilo Gentili que escreve letras de música, resolvi fazer um estudo de caso sobre artistas multimídia e verificar, na minha condição, qual seria a melhor forma de circular por mundos inventivos com dinâmicas tão distintas. Creio que dei um bom jeito nesta questão. Um dos meus procedimentos foi criar o Mingau Ácido, um alter ego para assinar os meus trabalhos de humor,

enquanto a porção romântica, poética, didática e motivacional eu subscrevia com o meu nome, Marcelo Garbine. Até criei um canal no You Tube e um Twitter para cada um. Em momentos de descontrações maiores, acabei misturando um pouquinho e o Mingau Ácido acabou evoluindo para uma marca. Por outro lado, a mescla de estilos dá-me maior liberdade de criação, aumentando, inclusive, o meu universo de escolhas, além de abrir portas em vastas direções. Já a questão do foco, eu resolvi definindo a letra de música como minha prioridade porque é o que eu mais gosto de fazer. Todavia, isto pode ser, periodicamente, alterado, conforme as oportunidades surgem. 

 

3 – Robson Sousa: - Eu vi na primeira parte que você também desenvolve trabalhos na música, fale um pouco mais (sou músico).

Mingau: Olá, Robson! Na adolescência, cheguei a estudar um pouquinho de contrabaixo e tive algumas bandinhas. Mas tocar nunca foi a minha praia... o que eu gostava mesmo era de escrever letras de música, coisa que faço desde a mais tenra idade. Como nasci no fim da década de setenta, tive a sorte de viver a minha infância nos anos oitenta, fase áurea do rock pop nacional. Os meus ídolos na música eram: Renato Russo, Raul Seixas, Humberto Gessinger, Herbert Vianna, Lobão, ... Ainda criança, eu pegava a máquina de escrever Remington que tinha lá em casa e compunha minhas letras, olhando as formas geométricas da toalha da mesa da cozinha para inspirar-me. Dos dezoito aos vinte e poucos anos, eu escrevi bastantes letras, mas as guardei. Mais de quinze anos depois, algumas bandas começaram a interessarem-se por musicar tanto as minhas letras antigas como as atuais. É muito gratificante para mim ver as minhas poesias sendo cantadas, tocadas e coreografadas. Só não vou dizer que é um sonho de infância realizado porque ainda falta a concretização de mais algumas etapas que eu apenas revelarei quais são quando se tornarem realidade. De todos os gêneros literários que produzo, o que mais me agrada é a composição de letras de música. 

 

4 – Ben Tavares – Qual a melhor parte da vida de escritor?

Mingau: Olá, Ben Tavares! A melhor parte, de certo modo, é quando a gente percebe que agradou, que foi compreendido, que alguém aprendeu algo com o que foi por nós escrito, quando se emocionam, riem e reagem sensorialmente de diversas formas. É como tocar as pessoas à distância. Não há dinheiro neste mundo que pague um elogio sincero, quando alguém diz, por exemplo, que, num domingo chuvoso, colocou um CD de crônicas em áudio que eu escrevi para a família toda ouvir ou que as velhinhas do asilo, no qual a pessoa é voluntária, adoram ouvir as minhas crônicas e poesias. Entretanto, o processo criativo também é uma delícia. É gostoso dar a luz a textos que nascem como se filhos fossem. É extremamente gratificante desenvolver uma ideia. Mas também é bom mostrar o que "aprontei" para os camaradas, fazer amigos durante o processo de divulgação, construir uma rede de network, trocar experiências com colegas escritores. É aprazível viajar para participar de eventos, ficar frente à frente com quem acompanha o nosso trabalho e que conhecíamos apenas pelas redes sociais. 

 

5 – Alice De Sousa: Qual é a sua maior paixão?

Mingau: Olá, Alice! Minha maior paixão é expressar-me, dizer o que sinto. E, por extensão, verificar que outras pessoas possuem sentimentos semelhantes, o que faz que se identifiquem com os nossos escritos.  É constatar que nada é absoluto, que existe alegria boa e alegria ruim, tristeza boa e tristeza ruim, pois aquilo que eu senti, por exemplo, numa tarde de domingo estranha, há duas décadas, hoje, é assimilada por outras pessoas, algumas que nem tinham nascido na época em que eu senti e escrevi. Seja rindo, chorando, filosofando ou cadenciando em ritmos, minha paixão é materializar em letras o que eram, cientificamente, apenas impulsos químicos, etéreos e abstratos de ondas cerebrais. 

 

6 – Lia Rodrigues – Você usaria outro pseudônimo se não existisse o Mingau? Qual?

Mingau: Olá, Lia! Eu já pensei bastante nisso. Existe uma grande parcela do meu trabalho que ainda não levei a público. Talvez, alguns deles sejam expostos através de um pseudônimo. E você usou a palavra certa: pseudônimo. Porque alter ego mesmo, acho que só o Mingau Ácido. Dificilmente haverá outro. Alguns labores humorísticos que tenho guardado na manga só farão sentido e terão graça se forem manifestados por pseudônimos. A qualquer momento, eles podem aparecer... E, talvez, somente descubram que sou eu, posteriormente... 

 

7 – Roberta Alves – Onde encontro seus escritos?

Mingau: Olá, Roberta! Escritos, propriamente dito, principalmente no meu site (http://marcelogarbine.com.br/), que é minha central, mas você também pode me ler em outras fontes, como Wattpad e Widbook. Se você estiver perguntando sobre livros impressos, existe uma seção Livros, no meu site, com links para eles. E como os meus escritos também viram áudios e vídeos, no You Tube. 

 

8 – Bruna Prado – Qual sua maior paixão dentro da literatura? É possível citar só uma?

Mingau: Olá, Bruna! Citar só uma é complicado... Eu sou péssimo para fazer escolhas porque vejo belezas singularizadas. Cada obra é admirável por ângulos ímpares. O que eu posso fazer é escolher aleatoriamente uma que faz parte da minha formação, da minha história, e comentar, mas ressaltando que ela é apenas uma na lista imensa. Quando eu tinha dezoito anos, ganhei mais um ídolo: o escritor Jostein Gaarder, autor de "O mundo de Sofia". Eu, que já conhecia os filósofos socráticos e pré-socráticos por livros adultos, tive a oportunidade de notar que o mundo dos raciocínios e ideias era maior do que eu imaginava, num livro que falava a linguagem da faixa etária a que eu pertencia naquela época. Eu grudei naquele livro com o coração batendo forte e apenas o larguei após relê-lo de trás pra frente e de ponta-cabeça por uma semana, quando uma amiga minha, aflita com a minha compulsão, fez eu me interessar por um livro chamado Paideia, de Werner Jaeger, que fala sobre a educação na Grécia antiga, praticamente, arrancando a obra de Gaarder das minhas mãos. Este livro foi fundamental para que eu compreendesse a razão de muitas coisas do mundo contemporâneo, tendo em vista a nossa herança helênica. Está vendo? Já citei duas. Não consigo... Acredito que, para criar, é preciso meter-se em coisas novas. E para mergulhar em terreno viçoso, é preciso ter paixão. Eu sou apaixonado por tudo o que faço e por tudo o que leio. Onde não existe paixão, não há motivo para entrar. 

 

9 – Lisa Soares – Você segue outros trabalhos paralelos, já sabemos, mas qual desses pega mais do seu tempo?

Mingau: Olá, Lisa! Não é tão simples calcular o que mais demanda o meu tempo, até mesmo porque, muitas vezes, eu faço várias coisas ao mesmo tempo. Existem poesias minhas que tomam um fim de semana completo, um sábado e um domingo inteirinhos. Para fazer alguns filmes de declamação poética, eu preciso de uma semana. E os textos, eu costumo revisá-los com rigor, lendo-os e relendo-os centenas de vezes. A diferença é que as poesias são o que são e, dificilmente, sofrem alterações com o passar dos anos. Já os textos, eu os modifico após decorrido um certo período, quando vejo necessidade. Isto só para falar da esfera da criação porque o que toma mais o meu tempo mesmo - pelo menos por enquanto - é o network, o desenvolvimento dos relacionamentos com as pessoas que trabalham comigo, como os músicos que fazem as melodias para as minhas letras, os ilustradores que fazem gravuras para os meus textos e os designers gráficos que animam as minhas crônica em áudio. Este network estende-se à convivência com os leitores também. Como, na minha opinião, não existe eficiência do conteúdo sem o marketing e a recíproca é verdadeira, temos que ser malabaristas para conseguir equilibrar bem o tempo, que é extremamente escasso. 

 

10 – Adriano de Lima: Sei que você tem certa pegada de humor, então você se define mais poeta ou humorista? Tem como explicar ou definir?

Mingau: Olá, Adriano! Eu procuro não utilizar rótulos, até mesmo para não ser pretensioso. É preferível que outros nos definam. Apenas faço. Para mim, escolher entre humor ou poesia é como optar entre comer ou beber água. Ambos são vitais. Eu apenas utilizo elementos do humor, sem me considerar obrigado a fazer rir, até porque humor não é necessariamente para "rachar o bico". Você pode ler um texto agradável com ingredientes animados, sentir aquela alegria interior "adrenalinando" no peito e manterse sereno, concentrado na leitura. Rir mesmo, a gente ri de bobagem, de gente escorregando na casca de banana. Não é isso que eu gosto de fazer. Prefiro miscigenar o coloquial com o rebuscado, criar um novo formato, fomentar a conclusão por parte do leitor. A piada tradicional já vem pronta e eu não faço uso de fórmulas, não dou nada mastigado. Ao meu ver, é melhor não ser compreendido do que cair no convencional. Na maioria das vezes, dispenso o "time" clássico. É como um professor que faz brincadeiras durante a aula. Agora, expressar-me por meio de versos é mais natural para mim do que usar a prosa. E, geralmente, expresso o romantismo por versos e humor pela prosa. Mas há exceções. Também tenho textos românticos e humor em versos. E textos que confundem: quem começa a ler, pensa que está lendo um texto romântico e o escárnio pega o leitor de surpresa na metade da leitura. Eu acho divertido isto. Posso dizer, no máximo, que a poesia sai de mim com mais facilidade como se suor fosse. Já o humor é como um pedaço de madeira que eu esculpo.

 

 11 – João Paulo Lyma (Dark Angel) – Para terminar, resuma sua arte, você e seus desejos para a arte.

Mingau: Olá, João! Em primeiro lugar, obrigado por mais um espaço a mim concedido para falar sobre a minha arte. Quero expressar mais uma vez a minha gratidão e o meu contentamento por estar aqui novamente, desta vez, junto com os seus leitores, que fizeram perguntas inteligentíssimas. Voltando à questão formulada por Ben Tavares, são estes momentos que fazem tudo valer a pena. Minha arte é a expressão do que eu senti em algum momento, que pode ter sido ontem ou há algumas décadas e, neste último caso, continua atual. Além da contemporaneidade vitalícia, outras características primordiais são a universalidade da identificação pelas outras pessoas e a pluralidade de entusiasmos abrangidos: alegre, reflexivo, melancólico, poético, racional, ... a circunstância considerável é o sentimento, seja ele qual for, porque, como já tangenciei, de passagem, comentando a questão formulada pela Alice de Sousa, os sentimentos não são divididos em bons ou ruins. Depende da forma como se sente e do que fazemos com o que sentimos. Isto é o máximo que eu posso dizer porque entender o todo é uma derivação consequente a cada uma das compreensões individualizada de cada trabalho. Porém, o entendimento geral é uma questão de escolha. Ninguém precisa entender tudo. As peças são dispostas livremente para que cada um contemple o que tiver vontade. O meu desejo é pura e simplesmente ser compreendido. E esta motivação faz que eu produza arte de diversas formas. Em um determinado instante da minha vida, cheguei à conclusão que sou uma eterna criança pulando para chamar a atenção dos pais. Essa sempre foi a minha essência e, às vésperas de fechar o ciclo de quatro décadas experimentadas, sei que não é possível desvencilhar-me das minhas entranhas. 

 

12 – Espaço publicitário (Links na internet, lugares onde estará etc.). O endereço do meu site é: http://marcelogarbine.com.br/

Youtube

https://www.youtube.com/channel/UCPqKtN_SAbd0xtJGZYeSJxw

https://www.youtube.com/channel/UCHT1Wg0uw7Cgam1mYHLVMQQ

 

LVMQQ

Uma fanpage e um perfil no Facebook:

1 – Fanpage: https://www.facebook.com/MingauAcido/?ref=hl

2 – Perfil: https://www.facebook.com/marcelo.garbine

Dois perfis no Twitter:

1 – Mingau Ácido: https://twitter.com/mingauacido

2 – Marcelo Garbine: https://twitter.com/marcelogarbine

 

Clicando aqui, você acessa o blog "Se Liga no Barulho" de João Paulo Salvatore

 

 

 

 

Conheça outros parceiros da rede de divulgação "Divulga Escritor"!

 

       

 

 

Serviços Divulga Escritor:

Divulgar Livros:

 

Editoras parceiras Divulga Escritor