Sexta-Feira da Paixão - por Guilherme Cardoso

Sexta-Feira da Paixão - por Guilherme Cardoso

Sexta-Feira da Paixão

 

Antigamente, Sexta-feira da Paixão era um dia santo realmente respeitado. E olhe que esse antigamente não tem mais que 50 anos. Foi outro dia mesmo. Era um dia de silêncio e respeito pela morte Daquele que deu a vida por nós.

Na Sexta-Feira Santa, ninguém ousava fazer barulho, ouvir música, o rádio lá em casa ficava desligado o dia todo. Televisão nem se fala. Quase ninguém tinha um aparelho. Só os afortunados.

Neste dia, era inadmissível varrer a casa, cortar verduras, socar alho, descascar cebolas, fazer a barba, cortar cabelo. Comer carne vermelha, beber vinho ou cerveja, jamais. As mulheres não podiam pintar as unhas, nem passar batom. Namorar e beijar neste dia era pecado mortal. Fazer sexo então, era o inferno direto. E todos obedeciam religiosamente.

Crianças não podiam assobiar, muito menos gritar e falar palavrões, se descumpriam era castigo, jogar bola na rua não era permitido, à noite era ritual obrigatório acompanhar a Procissão do Enterro, no Bairro Pompeia durava umas três horas.  E ninguém reclamava, apenas rezava.

O vigário Capuchinho puxava a procissão com rezas e cantorias, atrás vinham as Filhas de Maria, os Congregados Marianos, as Catequistas, os Coroinhas, todos com velas acesas, protegidas contra o vento por saquinhos de papel de pipocas. Ai de quem a vela apagasse:  era sinal de pouca fé.

Tocar a catraca na frente da procissão, ao lado do vigário paroquial, era o sonho dos meninos daquela época. A cada ano, um era o escolhido. Quase sempre um coroinha de melhor comportamento religioso. Eu nunca fui escolhido.

O tempo passou, tudo mudou. Costumes antigos viraram causos e piadas, não são guardados como folclore ou tradição. A tecnologia avançou demais, a crença e a fé diminuíram e com elas também o respeito às coisas e às pessoas.

Hoje são poucos que respeitam a data, maioria nas igrejas e procissões é de velhos, raros são os jovens, crianças ainda vão porque não têm com quem ficar. Supermercados funcionam normalmente, bares vendem bebidas, as pessoas comem de tudo, cantam, dançam, até soltam foguetes por qualquer coisa. Rádio toca música de todo tipo a toda altura, canais de tevês não mais exibem filmes da vida de Cristo, novelas ocupam espaço, mostram tudo a qualquer hora, sexo, traição, morte, falência das famílias.

Se hoje é assim, o que será daqui alguns anos?

 

 

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