Sexualidade Infantil: o olhar da sensibilidade - por Fabiana Juvêncio

Sexualidade Infantil:  o olhar da sensibilidade - por Fabiana Juvêncio

SEXUALIDADE INFANTIL: o olhar da sensibilidade

 

O termo sexualidade designa a condição de ter sexo, de ser sexuado. Assim, a condição da sexualidade humana é inevitável, inexorável e irremovível. Em nenhum momento de sua existência a pessoa encontra-se isenta de sexualidade. Desde o nascimento, a criança fêmea e a criança-macho passam a receber influências socioculturais através da família (ou instituição que a substitua), ampliando o conceito de sexualidade para o chamado sexo da criação. Assim, passam a existir “meninas” e “meninos” onde havia “fêmeas” e machos” (RIBEIRO, 1993).

            A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a sexualidade humana é parte integrante da responsabilidade de cada um. “A sexualidade não é sinônima de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. É energia que motiva a encontrar o afeto, contato e intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas se tocam e são tocadas” (BOLETIM, 2000).

Para Costa (1990), a sexualidade é o conjunto de todos os caracteres morfológicos, internos e externos que os indivíduos apresentam, conforme o sexo que pertence. Assim, a sexualidade tem grande relevância no desenvolvimento e na vida psíquica das pessoas, pois independente da potencialidade reprodutiva relaciona-se com a busca do prazer, necessidade fundamental dos seres humanos.

Já na teoria de Foucault (1997) pode-se destacar que: “A sexualidade é uma interação social, uma vez que se constitui historicamente a partir de múltiplos discursos sobre sexo, que regulam, normatizam e instauram saberes que produzem verdades”.

            Ainda de acordo com Foucault (1984), a palavra sexualidade surgiu no início do século XIX. Em sua obra História da sexualidade: o uso dos prazeres, ele trata da questão da sexualidade na antiguidade, analisando as práticas existentes em torno do sexo na Grécia Antiga (séc. IV A.C.). Para ele, trata-se de compreender como o sujeito é levado a se reconhecer parte de uma sexualidade que se estende a campos do conhecimento diversificados e que se pronuncia em um sistema de regras.

Ao citar a sexualidade, o mesmo autor (1984) faz referência às práticas sexuais, que para os gregos da antiguidade eram positivas. Ainda salientam a afrodisia, que são os atos, gestos, contatos que proporcionam uma forma de prazer. Segundo o autor, o ato sexual está ligado ao prazer, que faz nascer o desejo. Os gregos antigos se preocupavam com a prática da sexualidade, ou seja, os atos e desejos difíceis de serem controlados. Portanto não poderia haver prazer em excesso, havia uma postura moral sobre a sexualidade. Levar em consideração seus desejos, suas necessidades como um todo, assim, fazem parte do seu desenvolvimento. O corpo todo é erótico, pois é através dele que a criança possui seu primeiro contato com a natureza, com o mundo. É a partir desse contato com o mundo que a criança possui a sua primeira sensação de prazer. Portanto, o prazer não está só na relação sexual, no ato sexual ou na masturbação. (SILVA, 2007).

De acordo com Khan (2005), Freud compreende a sexualidade infantil como o prazer que as crianças descobrem desde muito pequenas, quando se incumbem de funções corporais necessárias. Freud em suas investigações na prática clínica, sobre as causas e funcionamento das neuroses, descobriu que a maioria dos pensamentos e desejos reprimidos referia-se a conflitos de ordem sexual, localizados nos primeiros anos de vida dos indivíduos.

Por fim, pode-se afirmar que o desenvolvimento sexual normal caracteriza-se pela curiosidade e exploração, que deve ser divertida, espontânea e consensual e está inserido num vasto leque de interesses de menores de idade. Por seu desenvolvimento sexual, uma criança sexualmente agredida pode apresentar comportamentos sexuais compulsivos, agressivos, desequilibrados, incluindo atos próprios de adultos. As atividades sexuais são, muitas vezes, dirigidas a crianças mais novas e vulneráveis, não sendo consensuais, mas sim baseadas na força e coerção (SANDERSON, 2005).

 

Referências

COSTA, M. Sexualidade na adolescência. São Paulo: L e PM, 1990.

FOUCAULT, M. (1998). História da sexualidade I.: A vontade do saber. Rio de Janeiro: Edições Graal.

FOUCAULT, M. (1997). História da sexualidade I.: A vontade do saber. Vol., 13ª Ed. Rio de Janeiro: Edições Graal.

FREUD, S. (1893-95) Estúdios sobre la histeria (Breuer y Freud) In: Obras Completas, Buenos Aires: Amorrortu Editores, vol. II, 2003.

KHAN, M. (2005). Freud Básico: pensamentos psicanalíticos para o século XXI. 2ª Ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL de SAÚDE (2002). A violência sexual traz consequências para a saúde física, psicológica e social da mulher, tais como: danos físicos, doenças sexualmente transmissíveis (DST), AIDS, gravidez indesejada, e associa-se com a síndrome da desordem pós-traumática. Brasília: OMS.

SANDERSON, C. (2005). Abuso sexual em crianças: Fortalecendo pais e professores para proteger crianças de abusos sexuais. São Paulo: Educ.

 

 

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