Sinto - por Carmen Jacques Larroza

Sinto - por Carmen Jacques Larroza

 Sinto

 

 Só sei que me invadem dois elementos intrínsecos, que só a morte os separa, como a promessa de um  casamento religioso. Entretanto, a morte só os separa de quem morre, já que ambos permanecerão, sempre, nas pessoas, de uma forma ou de outra, enquanto elas  viverem. Enquanto o mundo existir, eles existitirão, machucando.

     Esses dois elementos são femininos, por isso a persistência. Como posso chamar de elementos aquilo que é feminino?

Tratam-se de dois seres  rixosos, parasitas e dolosos.  Sentem   prazer em se fazerem doer. Um chama-se Saudade e o outro Distância!

     Ambas femininas e intrínsecas entre si e o ser humano. Elas entram na casa de homens e mulheres, sem distinção. Chegam, instalam-se e... pronto. Começa a latejar, a doer. Falemos delas, separadamente.

     A distância separa o toque das mãos, a alegria de um abraço apertado, o som descontraído de uma gargalhada ou o silêncio de um sorriso. Impede o dizer mudo de um olho no olho, a revelação de um "Eu te amo.", ou de um "Como és importante em minha vida"

     A distância separa seres que se pertencem. Seja por laços consanguíneos, seja por laços de amizade ou qualquer outro. Coloca, entre pessoas, quilômetros de estrada, de água ou de céu. Depende do meio de transporte a ser usado.

     A saudade traz à lembrança  momentos vividos que jamais serão repetidos. Momentos esses, recentes ou distantes. Traz a dor na alma e no coração, apesar de se dizer que "coração não dói". Traz o esticar de braço, em um momento alucinado, no qual se pensa estar junto do outro.. Depois, à luz da razão, esse braço cai inerte ao longo do corpo.

     A saudade é certeza de que se ama, de que se quer bem e de que se daria tudo para se estar junto desse alguém. Quando estamos distraídos de nós mesmos. Ela chega devagarinho e... nhoc, como se fosse a serpente enganadora de Eva.

    Faz uma lágrima discreta, silenciosa surgor da fonte de um olhar e vai escorregando, sem pressa, para se perder no mar salgado da boca. Traz ums verdade indesejada, mas concreta, apesar de abstrata.

    A saudade é um filme em "câmera veloz", que mistura passado e presente. Ensina-nos que somos nada e incapazes de ter o controle de tudo, todo o tempo. Ao contrário do que muita gente pensa, somente Deus é Soberano e Onipotente.

     Ambas são univitelinas. Mas qual delas é a pior?

 
 
 
 

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