Sobre a crítica literária - por Alvaro Giesta

Sobre a crítica literária - por Alvaro Giesta

Sobre a crítica literária

 

Passo a passo vou(-me) guiando (n)a minha aprendizagem com o olhar com sentido crítico as obras literárias, verdadeiramente dignas desta classificação - hoje muito poucas apesar de serem muitas as obras que enxameiam e (se) atafulham (n)os vários escaparates das livrarias, sem falar daquelas que nas grandes amplitudes comerciais se empurram, umas às outras, na ânsia de ver o sol e respirar enjoadas que estão do odor incomodativo do bacalhau e doutros géneros alimentícios, que é outra coisa e para outra altura.

 

E sem surpresa, mas com um misto de desânimo, vejo a ausência que há hoje daqueles críticos sérios, a que me habituei, que me apontavam esta ou aquela obra como aconselhável, como útil. Se críticos há hoje, eles são apenas o amigo que escreve a pedido do amigo que lançou a obra, muitas vezes uma obra à pressa na ânsia de ser primeiro, aquilo que o amigo quer que escreva e o amigo escreve.

Isto não é crítica literária. É um desfilar de vaidades - e tantas vezes se bate no ceguinho que não quer ver, para que veja, mas ele se recusa a ver! - é um curro de lobbies que importa denunciar, acusar e desmontar.

A autoridade vem, não daquilo que esse crítico sabe dizer, ou julga saber, com trocadilhos de palavras emprestadas retiradas da obra do autor amigo ou fabricadas com palavras inócuas, totalmente desenquadradas do objectivo que se propôs, que nada dizem, mas daquilo que os seus olhos veem ou leem, e da sua capacidade de transmitir, em prosa, o que  apreendeu da leitura que fez e viu da obra sobre a qual se debruçou, seja ela poética ou de arte.

 

Não é preciso ser-se escritor para se ser um crítico literário. Mas, um bom crítico literário! Por outras palavras: um bom crítico literário não tem que ser, necessariamente, um bom escritor. Mas deve pensar como um bom escritor. Pensando como escritor, tendo em atenção os atributos que definem um bom escritor não se deixando alienar por eles - esses instintos criativos devem apenas ser usados pelo escritor, enquanto tal, e nunca no desempenho do seu mester crítico. Aqui, deve munir-se do uso da observação e leitura com finalidade crítica, do uso frio da razão e do desapaixonado manuseamento da palavra.

Embora pensando como um bom escritor, tendo em atenção as palavras, o estilo, a forma, a metáfora, a imagem, deve alhear-se de fazer crítica servindo-se das ferramentas que definem um bom escritor. Porque, se fizermos a crítica "sem sujar as mãos na tinta" como nos diz o famoso crítico literário JAMES WOOD, teremos um romancista, um ensaísta e não um crítico profissional.

 

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© Alvaro Giesta (poesia e crítica literária)

Não escrevo segundo as normas do novo acordo ortográfico

 

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