Sozinha na Multidão - por Rô Mierling

Sozinha na Multidão - por Rô Mierling

Sozinha na multidão

 

Você já se deu conta da importância de estar só ou estar junto? Já percebeu a influência do fenômeno Faceboook tanto na literatura quanto na vida social das pessoas? 80% dos meus contatos são escritores, de certa forma acho isso muito legal, mas e se todos esses contatos forem ilusórios? Já pensou que podemos estar na multidão e mesmo assim estaremos sós ? Por isso que eu gosto dos livros, com eles nunca estou só..

Leiam a crônica abaixo e entenderão melhor do que eu estou falando..

 

SOZINHA NA MULTIDÃO

É hilário o estar junto ou estar sozinha. Ter “amigos” ou não ter ninguém.

Eu ontem chamei meu namorado para ver um filme, ele disse que precisava estudar. Certo.

Eu moro sozinha, logo pensei então em chamar umas amigas para virem a minha casa e papearmos, bebermos algo, qualquer coisa assim. Liguei para cinco amigas diferentes, cada qual deu uma desculpa.

Era uma terça feira, mas mesmo assim achei que nada custava dar uma passada aqui em casa. Eu tenho muitos amigos, muitos mesmo. Mas naquele momento em que eu queria companhia, sinceramente minha mente se voltou para poucos. Meu namorado, algumas amigas.

Ah, sim, tem aquela tia minha que sempre vai comigo fazer compras e que às vezes aparece aqui em casa, ela é solteirona, é hiperativa e muito legal. Liguei para ela e depois de mil desculpas ela me disse que não podia, pois tinha consulta no dia seguinte logo cedo. Quem mais? Pais morando longe, as opções iam ficando cada vez menores.

Lembrei-me de um professor da faculdade que sempre dava em cima de mim. Eu tenho namorado, claro, mas o tal professor é gente muito fina, educado, só passaria dos limites se eu deixasse. Liguei para ele e ele disse que infelizmente estava preparando uma prova para aplicar no dia seguinte.

Não me restou muita coisa a fazer, a não ser sair para a rua sozinha e assim fui. Andei pelas ruas próximas ao meu apartamento e vi muita gente pelos bares, praças, a grande maioria com telefones celulares e equipamentos eletrônicos em uso. Postando, compartilhando, comunicando-se. Mas vi poucos grupos juntos, unidos, rindo, brincando ou mesmo brigando. Sentei em um banco,  fiquei a olhar quem passava. Poucos casais de mãos dadas, poucas amigas abraçadas e rindo como eu fazia quando era adolescente. Menos ainda pais, mães e filhos andando de mãos dadas como uma família unida. Fui ficando cada vez mais triste, que mundo é esse que temos tantos “contatos” e na verdade vivemos sozinhos em nós mesmos?

Cansei e voltei para casa, já passava da meia noite. Tomei banho e antes de dormir fui ver se tinha algum e-mail importante no meu computador. Lembrei-me de também olhar meu Facebook e lá estavam mais de 190 recados de “felicidades”.

Eu não disse a você? Pois é, eu estava procurando companhia, pois era meu aniversário. Mas nesse momento percebi que eu não estava sozinha. Eu estava unida a vários “amigos” do Facebook que, avisados por um sistema automático, me desejavam “toda a felicidade, amor e amizade do mundo”.

 

 

 

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