Teresa Cunha - Entrevistada

Teresa Cunha - Entrevistada

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Maria Teresa Coutinho e Cunha nasceu em Lisboa a 15 de Julho de 1961 e viveu em Portugal até completar 18 anos quando partiria para Montreal, Canada, para ingressar na Universidade McGill onde se licenciaria em Ciências Políticas e ainda em Women Studies.  Após o fim dos estudos trabalhou em Montreal até regressar a Portugal no fim dos anos 80 para entrar ao serviço do ACNUR, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, tendo permanecido com esta Organização no exercício de várias funções essencialmente em África e nos Balcãs durante as mais marcantes guerras do fim do século XX.  Ao fim de uma década deixou o ACNUR voluntariamente tendo retornado a Portugal onde reside hoje.

“Nós temos a capacidade de nos surpreendermos e nunca conhecemos completamente ninguém, nem a nós próprios, eu surpreendi-me, fiquei mais minha amiga e mais amiga do meu semelhante, o que é um enorme conforto.

Boa Leitura!

 

SMC - Escritora Teresa Cunha é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que a motivou a ter gosto pela escrita?

Teresa Cunha -  O prazer é meu de estar convosco penso que na minha primeira entrevista fora do âmbito profissional, embora não seja fácil para mim porque acho que quando falamos de nós próprios corremos sempre o risco de parecermos pretensiosos. Quando comentei isto com a minha irmã ela respondeu-me impaciente, “..disparate, diz o que tiveres a dizer como se estivesses a falar comigo!”… portanto cá vai:

Na verdade não faço a menor ideia da razão pela qual terei começado a escrever, começou evidentemente pela escola aonde todos nos damos conta de que nascemos com variadíssimas aptidões e inaptidões que são ou não fomentadas por quem nos rodeia e pelos professores em particular. Lembro-me com ternura de uma professora de português que tive, (Helena Guerra), me ter dito que estava certa de que um dia ainda iría ter muito orgulho de ler um livro meu.. Tinha-nos dado a tarefa de escrever um poema sobre o Inverno e gostou tanto do meu que na manhã seguinte o leu em voz alta na aula, chamava-se “..para mim, uma gota de água conta, e marca-me..”..  Incrível mas ainda me lembro do título e de ficar espantada com a distinção, do poema em si não me lembro de nada, mas dela sim, com nome e tudo!

Talvez no meu caso a escrita tenha sido o escape mais fácil para uma criança introspectiva, rebelde e insegura que foi expurgando a alma em privado durante anos, mas não sei, só sei que sempre escrevi, talvez como desabafo ou até como "droga leve", mas decerto como terapia.

 

SMC -  Em que momento você pensou em escrever o seu livro “By Trial and Error”? 

 Teresa Cunha -  Já não sei quem foi que disse que para se ser “um homem” tem de se “plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro..”, a mim, pragmática, e amante de projectos tangíveis, esta premissa sempre me encantou. Plantei inúmeras árvores, fiz imensos filhos (confiante de que os ensaios seriam tidos em conta), …e, necessariamente, o passo seguinte era óbvio. Soube de facto a altura exacta em que tinha de escrever o meu livro, (certamente decorrente das circunstâncias da vida normal de qualquer mulher que sobreviva até à "idade da razão"), e fi-lo em ambas as minhas “línguas patrias” em simultâneo, facilmente e com imensa alegria.  Foi uma terapia baratíssima e saborosa que concluí em pouco mais de um mês de noites em branco, sem telefones nem gente nem Sol para me distrair da minha cura.  Celebrei todos e tudo o que mais amo com uma facilidade que ainda agora me surpreende, recordando todos os disparates e aventuras num grau de detalhe incacreditável. 

 

SMC - Como foi a escolha do Título?

Teresa Cunha -  Quanto ao título, esse acho que se pautou pela minha trajectória de vida, já que nunca me ocorreu outro,  …sempre aos tropeços mas levando eventualmente a bom termo todos os meus planos, "por tentativa e erro", como mais poderia ser?

 

SMC - Que temas você aborda nesta obra?

Teresa Cunha -  Eu deveria evocar aqui com eloquência uma análise profunda, mas na verdade, não houve analise de maior e sim observação, acontece porém que a minha carreira profissional  foi muito rica em experiências pouco usuais, o que confere talvez ao livro um certo travo a aventura e romance.  Dizem que eu escrevo como falo e eu gostaria de facto que a minha prosa fluísse tão agradavelmente como uma conversa entre amigos que vai dizendo de tudo um pouco, das viagens, dos países, das pessoas, das guerras, das alegrias, das tristezas, dos amores e desamores, de tudo o que vivi e como o vivi, a nível profissional e pessoal.  Faço de todas essas atribulações uma análise que penso seria a da maior parte das pessoas, honesta mas cheia de incertezas e por vezes politicamente incorrecta embora com o máximo de humor possível.  O revisitar das trajectórias de vida é um processo fascinante e educativo, todas as peças do puzzle se encaixam, faz-se paz com muita coisa, relativiza-se o que não é importante, realça-se o que valeu a pena e reincontram-se com prazer muitos valores intemporais.  Nós temos a capacidade de nos surpreendermos e nunca conhecemos completamente ninguém, nem a nós próprios, eu surpreendi-me, fiquei mais minha amiga e mais amiga do meu semelhante, o que é um enorme conforto.

 

SMC – Escritora Teresa, onde podemos comprar o seu livro?

Teresa Cunha -   O meu livro está disponível em “hard copy” na Suíça na Payot International Bookstore, em Montreal na Discoteca Portuguesa e várias outras livrarias, em Portugal, entre outras, nas Livrarias  Bulhosa, Bertrand, DARGIL, Havanesa, Les Enfants Terribles.  E em formato digital em:

Amazon– http://www.amazon.com/dp/B00A55EYW0

iTunes store – https://itunes.apple.com/pt/book/by-trial-and-error/id561481638?l=en&mt=11

Liberdade– http://agassy.wix.com/loja#!by-trial-and-error/c12lr , Também à venda em papel

(Portuguese version) http://www.chiadoeditora.com/

 

SMC - De forma geral, qual o público que você pretende atingir com o seu trabalho literário? Qual a mensagem que você quer transmitir para as pessoas?

Teresa Cunha -    Na verdade, o único público que eu pensei atingir era “eu”, ou gente como eu.  Não houve nenhuma premeditação ou motivação específica aparte da vontade de divertir os meus colegas, amigos e família e de partilhar com eles o relato dessa aventura em que a dada altura todos embarcámos em conjunto, penso que os percursos humanos se assemelham todos na sua essencia, seja no meio de uma guerra num continente remoto, ou mesmo aqui ao virar da esquina na nossa rotina de todas as manhãs, o básico da vida altera-se pouco e talvez por isso os temas deste livro acabem por ser temas universais.  Fui no entanto agradavelmente surpreendida pelo interesse inesperado de algumas Editoras, o que muito me lisonjeou e levou a todo este imprevisto de desenvolvimentos.  A mensagem deste livro, se a há, deveria decerto ser alvitrada por outrem mas a meu ver, o que eu digo essencialmente é  que a gente só acaba de se construir quando morre, e se calhar nem aí!...o caminho faz-se de tropeços e conquistas, e por vezes até os tropeços e as quedas surtem excelentes resultados.  Achamos sempre que o pior que nos pode acontecer é morrer, mas quando se convive diariamente com a morte até ela acaba por nos parecer natural e fácil, como viver bem deve ser fácil, porque não é difícil valorizar os outros ou gostar de nós.  A vida fica muito mais saborosa cheia de celebrações, e basta decidirmos escolher o que nos transporta, o que nos inspira e o que nos consola.

 

SMC - Quais os seus principais objetivos como escritora? Pensas em publicar uma nova obra? Teresa Cunha -   Eu digo frequentemente que só tinha este livro em mim, e é verdade, não porque não tenha nada mais a dizer mas porque só gosto de escrever sobre aquilo que sei e sobre aquilo que é meu.  Neste livro disse quase tudo o que sabia e  agora já só me resta contar as aventuras da vida dos outros, e como essas vidas não são minhas arrisco-me a empobrecer, aligeirar ou enriquecer vivências que foram importantes para alguém. Embora já tenha vários contos escritos, ainda não sei exactamente como os apresentar de forma a não ferir as susceptibillidades daqueles a quem essas histórias pertencem.

 

SMC - Como se sentiu ao ser convidada para prefaciar a antologia do Solar de Poetas, volume I, que esta sendo editada pela Editora Modocromia?

Teresa Cunha -    Na verdade a Editora Modocromia é já uma “amiga” de longa data, liderada por gente boa que tem um relacionamento personalizado e estreito com os seus autores e nunca cessa de surpreender pela positiva.  Embora lisonjeada devo dizer que prefaciar uma Antologia Poética é para mim uma estreia e uma tremenda responsabilidade.  Estou certa de que haveria uma infinidade de pessoas mais competentes do que eu para o fazer porque sinceramente, acho que como “poeta” deixo algo a desejar, escrever poesia foi sempre para mim um expurgo rápido da alma quando a vida profissional me impedia de me dedicar ás morosidades da prosa, mas como adoro poesia e a consumo ávidamente, tentarei fazer o meu melhor para estar à altura da tarefa.

SMC -Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário em Portugal?

Teresa Cunha -   Não saberia verdadeiramente o que dizer, com os adventos tecnológicos e a crise tremenda que se vive, parece-me expectável que as pessoas comprem comida em vez de livros, ou, para os que podem, que quando compram livros o façam em formato digital embora quanto a mim, e contra mim falo, não haja nada que substitua o cheiro, toque e peso de um livro em papel. Penso que de momento em Portugal, uma das maiores dificuldades com que nos enfrentamos é um grave problema no que toca a divulgação e Distribuição, sobretudo de novas obras, mas não sei até que ponto o processo poderá ser revertido, as escolas continuarão decerto a ser sempre um bom veículo para incrementar o gosto pela leitura.  Um maior intercâmbio entre países de língua portuguesa seria também desejável, já que Portugal é um país tão pequeno. 

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Teresa Cunha, que mensagem você deixa para nossos leitores?

Teresa Cunha -   Que sejam amigos de si próprios e não insistam em sofrer aonde surja a mais pequena chance de ser feliz, a dor e o drama viciam e travam-nos.  Há que contrariar os medos e colher todas as alegrias que haja aonde quer que seja, ...em suma, celebrem os outros, a vida e, sobretudo, a si mesmos.

 

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