Trecho do livro: Ângela - por Neide Brasileiro

Trecho do livro: Ângela - por Neide Brasileiro

Este texto é parte integrante do Livro: ÂNGELA

 

            “Felicidade é algo que a gente tem que ter com ou sem alguém. A gente não pode deixar que a nossa felicidade dependa de outra pessoa. Eu sempre disse isso para você, não é, Edu?! Se as pessoas entendessem isso, elas seriam muito mais felizes, teriam consciência antes de trazer alguém para a sua vida. Se a relação as tornasse infelizes, e elas já tivessem consciência do que é sentir a felicidade, fugiriam de relações desgastantes.

            Sempre ouço coisas que para mim estão erradas, como quando escuto que o amor é próximo ao ódio. Esses sentimentos são duas coisas bem diferentes: o amor é sentimento puro, cristalino, e o ódio é sentimento sujo. Se eu fosse falar que cor tem o amor, a cor seria o rosa, porque ele teria um pouco do branco, que é tranquilidade, e um pouco do vermelho, que mostra a paixão na medida certa. A cor do ódio, sinceramente, para mim, teria que ter um pouco do preto misturado com cinza, algo escuro. É essa sensação que eu tenho. E, se eu fosse descrever em termos do mundo animal, o bicho que representaria o amor seria o flamingo, não importando a cor (pode ser o rosa, o branco ou o laranja), porque, você pode reparar, quando os flamingos juntam as cabeças para “namorar”, a união forma um sutil desenho de coração,  expressando o amor puro. Se fosse expressar o ódio, diria que ele seria uma raposa. Lembro, Edu, quando eu li O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, em que a raposa dizia: “Você é responsável por aquilo que cativas”. Uma raposa dizendo isso, um bicho astuto dizendo isso, um bicho que tem a habilidade de capturar a presa e levá-la à toca sem que ela se dar conta. Penso sempre, também, que não devemos ficar escravos de quem nos cativa. A palavra cativa lembra cativeiro, e isso, para mim, é uma grande dica quando vejo alguém cativando o outro. Fico triste em saber que o amor para muitas pessoas é isso, uma pequenina moeda de troca! E não apenas amar, amar, amar... As pessoas sonham em encontrar o amor verdadeiro, mas não há verdadeiro amor nos sentimentos delas. Às vezes usam essa busca por não se suportarem, como fuga delas mesmas, por não quererem ficar sozinhas ou por até estarem precisando mudar de vida, e aí põem na cabeça que amam e no final acabam é brincando de casinha. Edu, você não acha isso um absurdo? O amor, Edu, é um ato natural, sem queixa, sem perseguição e, mais ainda, sem nenhuma complicação. É a verdadeira junção de almas.”

            

 

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