Três é demais - por Mirian M. de Oliveira

Três é demais - por Mirian M. de Oliveira

TRÊS É DEMAIS!

Mirian Menezes de Oliveira

 

O rapaz era esforçado, aceitava qualquer tipo de serviço, pois vontade de trabalhar não lhe faltava.

Estava desempregado há 06 (seis) meses e uma oportunidade bateu-lhe à porta: ser Papai Noel, num Shopping da cidade.

Enorme foi sua felicidade ao registrar, novamente, um emprego na carteira. Emprego temporário, mas emprego!

Shopping famoso... repleto de conhecidos. Era amigo do dono da loja de celulares, que, por sua vez, era casado há anos, com a dona da livraria.

Na primeira semana de trabalho, o rapaz saltitava de alegria, apesar da roupa quente e do clima tropical.

No final da segunda semana, a euforia já não estava mais dando conta da sensação de “deserto”, apesar do ar condicionado! Havia também o cansaço gerado pelo barulho! Tomava água vez ou outra, tinha que sorrir e olhar para os flashs das máquinas fotográficas sem parar... fazer: Ho! Ho! Ho!  (de quinze em quinze minutos)...  porém continuava feliz e pensava como poderia ter um emprego fixo, após esse período, envolto em clima diferente.

Na terceira semana, pensou que já estava por ali, por alguns longos dias no local e nem mesmo havia cumprimentado o casal feliz, que se dividia apenas nas lojas: ela gerenciava a livraria... o esposo, a loja de celulares. Acho que não haveria problema se deixasse as “Mamães Noéis”, de dezoito anos, maquiadas e com “vestidinhos” bonitinhos, animando as criancinhas.

Resolveu dar uma volta no Shopping e reencontrar os amigos. Além disso, seria bom ir ao banheiro e, talvez, beber uma aguinha. Caminhou sem o chapéu, arregaçou as mangas, mas a barba não tirou. O que pensariam de um Papai Noel todo desfigurado?! Melhor, não!

Passou pela livraria:

_ Amiga! Quanto tempo! Saudades!

A Festa foi enorme! A dona da loja sentiu-se muito feliz, por estar próxima de um amigo tão querido, que incorporava, naquele momento, o “espírito de natal”.

Conversaram... conversaram... conversaram... O rapaz até comprou alguns livros! Que alegria!

_ Tchau, amiga! Prazer em revê-la! Antes de terminar meu contrato, passarei por aqui!

(Beijos e abraços)

Próxima parada: loja de celulares...

Foi bem recebido, como na livraria! Abraços... “papinhos”... Comprou uma película de celular e uma capinha...

Antes de dizer “tchau” ao amigo, viu entrar na loja uma bela moça!

Ele a olhou, discretamente, até porque sua barba o incomodava tanto, que ele até já estava com vontade de sentar em seu trono e continuar com a sessão de fotos.

Estava quase se despedindo, quando o amigo da loja se aproximou, de mãos dadas, com a moça e lhe disse:

_ Esta é minha esposa! Deixe-me aproveitar para apresentá-la.

“Dizem os mais antigos, que o calor, às vezes, esquenta e derrete os miolos”, por isso não sei o que deu no rapaz, que as perguntas e exclamações saíram imediatamente:

_ Esposa?! Qual é? Deixe disso!

O dono da loja de celulares sorriu espantado e frisou:

_ Minha esposa! Apresento-lhe minha esposa!

_ Ah! Deixa disso!  (Olhou-a, como se fosse um Palhaço e não um Papai Noel) – Esposa nada! Pensando bem... Ela se parece muito com sua esposa! Ah! Já sei...É sua filha! Muito prazer!

Primeiramente, houve um silêncio... depois risos... Na sequência, os dois, de mãos dadas, viraram as costas e foram para trás do balcão.

Sem entender nada e com os miolos quentes, nosso Papai Noel retomou ao posto, fazendo o melhor que podia.

No outro dia, o dono da loja de celulares foi procurá-lo. Cumprimentou-o, normalmente, abraçou-o, até trouxe um pequeno brinde, pela compra da película e da capinha de celular!

_ Você, hein?! Rimos muito, ontem à noite, em casa! – disse, entre risos, o dono da loja de celulares.

_ Como?!

_ Não bastava me chamar de velho; ainda tinha que comparar minha nova esposa com a “ex”?!

_ Ex?! Mas... mas... Putz! – ajoelhou-se! – Perdão, amigo! Por favor, preciso de um desconto! Estava com a cabeça, literalmente, quente, ontem... Perdão! Perdão! Não bastava um “fora”, mas dois, três... Isso é demais!

_ Levante-se daí, rapaz! Olha o vexame! Onde já se viu Papai Noel ajoelhado desta forma. Só vim esclarecer os fatos! Somos amigos! Achei engraçado, apenas! Na hora não gostei muito, mas depois “foi hilário”!

O rapaz teimava em ficar ajoelhado:

_Perdão! Perdão! Onde posso encontrar um buraco agora, para enterrar a cabeça, como um avestruz?!

_ Levante-se, rapaz! Você é o Papai Noel ... está tudo bem! Você apenas me chamou de velho, comparou minha esposa com a anterior e deu-lhe o posto de minha filha. Agora está ajoelhado, pateticamente, o que muito me constrange... Levante-se!

_ Fim da picada! O rapaz quase pediu demissão, antes do Natal chegar... mas aguentou até o fim! Coitadas das crianças!  Além disso, precisava do salário!

Até o término do contrato, resolveu apenas sorrir e fingir-se de mudo... Foi o melhor Papai Noel que já passou por ali.

Após a rescisão de contrato, despediu-se de todos, sorriu e passou pela loja de celulares:

_ Oi, amigo! Vim me despedir e me desculpar mais uma vez! Sei que cometer uma gafe é ruim, duas é pior ainda, mas três é demais! Eu não consigo me perdoar. Ainda estou à procura de um buraco, para enterrar a cabeça e passar o resto dos dias que me faltam!

_ Deixe disso, rapaz, já que não conseguiu encontrar um buraco decente, para enterrar sua cabeça como avestruz, está convidado para tomar uma cerveja em casa, mas você PAGA!

O caso morreu por ali!

Amigos para sempre, afinal de contas, NINGUÉM é perfeito!

Se isso aconteceu de verdade?! Não sei! Pode ser que sim, pode ser que não!

Deixo a dúvida para o leitor...

Ho! Ho! Ho!

 

 

 

 

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