Trilhos - por Alves dos Santos

Trilhos - por Alves dos Santos

Trilhos

 

Nunca tive a presunção de te conhecer

Não mais que superficialmente

Conheci-te pela rama sem nunca chegar às tuas raízes

Sempre com a sensação que te perdias em trilhos só teus

Onde vivias uma vida inventada por ti e para ti

E entretanto aguardavas

E aguardavas

E eu não sabia o porquê dessa demora

E perdias-te em madrugadas despovoadas

Por entre as pedras da calçada

E a cal deste casario

Numa esperança vã

Que as frestas do silêncio nocturno

 Te revelassem enfim

O segredo para seres feliz

 

Nunca senti que te tivesses realmente entregue

Percebia-te sempre mais preocupada com os sonhos que não realizavas

Do que com a vida que corria por ti incólume

Sem nunca ser verdadeiramente vivida

 

Eras incapaz de largar essas tuas quimeras

E agarrar com a vontade de quem quer

Agarrar com ambas as mãos

As alternativas com que a Vida e Eu te quisemos presentear

E assim foste ficando a pensar obsessivamente

No que podia ter sido mas jamais chegava a ser

Numa espera lenta que te deixava vazia e de mãos a abanar

 

Tu eras como um relógio parado

Cativa num tempo só teu

Tu eras como uma fugitiva

Escondida entre as moitas ribeirinhas

Vendo o meu barco passar rumo a um porto mais seguro

Sem coragem de saltar para bordo

E eu nem sei dizer se chegaste a ser feliz

E eu nem percebi o que querias para ti

 

E foste incapaz de pronunciar por palavras o teu adeus

Escreveste em páginas e páginas

O teu cenário de despedida

Escreveste árvores, flores, raízes

Escreveste um céu pardacento e um sol fosco

Escreveste lágrimas em forma de chuviscos

E escreveste o canto das aves ecoando ao vento

E todo este cenário implorava que me lembrasse de ti

 

Como se fosse possível eu te esquecer

 

 

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