Um dia na feira - por Rubens Silva

Um dia na feira  - por Rubens Silva

 

- Pannn! – fez o som do porta-malas do meu carro!

Dia quente esse, que calor infernal! Mas, o clima sempre foi assim em Santana. Deixei o carro estacionado na frente da prefeitura, por ser um local mais amplo e protegido de uma possível barbeiragem. Dos outro é claro, pois sou motorista devidamente habilitado e acho difícil cometer um erro ao dirigir meu carro. Que modéstia!

Saímos em direção ao Banco do Brasil e à feira. A tradicional feira de Santana. Quando estávamos quase chegando às barracas de roupas, percebi que me esqueci de tomar o remédio de hipertensão.

- Leda, vá fazendo as compras que já vou. Esqueci de novo de tomar o remédio!

- Rapaz, você sempre se esquece de tomar o remédio, não tem jeito!

Parei pensativo, e imaginando até quando vou ter que tomar esse remédio? Velhos hipertensos não têm muita esperança de que um dia isso acabe. Vá lá, a vida continua! Voltei, peguei uma dose extra que sempre carrego no carro e cheguei à Farmácia do Tonho, onde pedi um copo d’água e finalmente tomei a minha dose de vida.

- E aí, tomou seu remédio? – Me pergunta a Leidimar logo à minha chegada à barraca de Marleide.

- Tomei! Já comprou o quê?

- Tomate, cebola, chuchu e bananas - na nossa feira não podem faltar essas coisas – folhas verdes, rúcula, alface, cheiro-verde e agora pequi.

- Impressionante como tem pequi na feira – eu falei.

O cheiro impregnava meu nariz. Compramos algumas coisas mais e fomos circular, andamos, de mãos dadas eu e Leda, compramos uma melancia, pequena e cara.

- Como está cara a melancia! – comentei.

- Vamos tomar um caldo de cana? – convidou-me Leda.

- Vamos!

Adoro caldo de cana! Há anos estou morando aqui em Santana, e a máquina de espremer as canas do seu Vivaldo continua a mesma, já está toda molenga, embuchando com as fibras. Mas, o caldo é gostoso, coloco sempre umas gotas de limão Taiti e gelo, fica uma delícia. Tomamos o caldo de cana e continuamos nosso passeio.

Brócolis, Seriguela, Umbu, Pitomba, Mamão, Melão, Poncã, Laranja, Mandioca, Acerola e uma infinidade de outras frutas e coisas do sertão chamam a nossa atenção todos os sábados nessa feira. Como posso sair daqui? Criei raízes profundas, que será difícil arrancar-me deste chão.

Tomamos nosso caldo de cana e continuamos a andar. Cheguei ao açougue e perguntei:

- Tem lombinho de porco?

- Tem não! Acabou!

- Tem pernil?

- Tem! Espere um pouco que vou desossar! Quer quanto?

- Me dê aí uns dois quilos! Hah! E mais dois quilos dessa fraldinha aqui.

Peguei minha bolsinha Jeans (antiga, acho que ela tinha uns quinze anos) dessas de colocar moedas, puxei dez reais dos trinta que ela continha. Peguei minha outra carteira, que estava no outro bolso da bermuda e apanhei cinquenta reais. Completei sessenta e paguei minha compra. Recoloquei minha carteira com os documentos do carro no bolso de trás da bermuda e fechei com o zíper.

- Vamos dar uma olhada nas barracas de roupas? – disse Leda.

- Vamos!

Saímos displicentes, tranquilos no meio das barracas:

- Leda, me roubaram a bolsinha de dinheiro do meu bolso!

- É mesmo? – respondeu-me Leda, incrédula! – Levaram os documentos do carro?

- Não! Somente a nossa bolsinha de estimação de carregar moedas, o pior é que tinha algumas moedas de um real que estamos guardando! Sacanagem, viu!

Senti que a minha bolsinha de grana tinha sido tirada do meu bolso. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer comigo aqui em Santana. Todos me conhecem. Mas, realmente aconteceu.

Indignado com o fato e pensando no que fazer, prosseguimos nossas compras. Agora, sim, muito mais atento. Certamente o cara que conseguiu roubar meus trocados estava rindo de mim. E eu rindo dele porque não levou toda a minha grana. Correu um sério risco de ser preso. Normalmente fico ligado, foi um momento ímpar de distração. Não costumo vacilar com essas coisas.

Tudo resolvido, voltamos para casa, com nossas compras, nossas iguarias todos os sábados compradas na feira de Santana. E na minha mente a indignação de ter sido, pela primeira vez, assaltado na rua.

 

  

25/02/2014

 

 

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