Uma carta de ternura - por Ivan Perdigão

Uma carta de ternura - por Ivan Perdigão

Uma carta de ternura

 

Vou escrever uma carta

Da face ao verso

Esgotando a caneta

Com palavrinhas e desenhos

Um longo texto

Escrito pelo punho

Ditado pelo sentimento

Uma carta que não fale de amor

Que não fale de saudade

Que não relembre a dor

Uma carta com falsidade

Que fale de felicidade

Vou escolher as palavras maiores

As palavras que não conheces

Vou falar dos barcos

Da chuva, das ruas com charcos

Vou falar dos vizinhos desconhecidos

Dos bairros e edifícios

Vou falar de tudo que não sabes

Do pouco que não ouves

Vou escrever esta carta

Esperando que quando parta

Seja breve até tua mão

Que ao portador não digas não

E que no caminho solitário

De casa ao rio

Leias tudo, mais uma vez e outra

E no dia seguinte e de novo

Que a leves quando vais a feira

Que a escondas do povo

Vou escrever

Porque sei que a vais ler

E na escrita e na leitura

Toda a ternura

O amor que perdura

Vou escrever

As letras conhecidas

E tu vais ler

As letras escondidas

 

IP 20.2.2013   lubango

 

 

 

 

 

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