Vai ter equiça - por L. A. Tecau

Vai ter equiça - por L. A. Tecau

Vai ter equiça!

 

Vai ter Copa.

Não vai ter Copa.

O Brasil está preparado para sediar e fazer desse evento a Copa das Copas.

O importante é o legado que a Copa vai deixar.

O importante é atrasar o máximo possível na entrega das obras para faturarmos mais nas       contratações emergenciais (licitação é pros fracos)

Vai ter manifestação, tumulto e caos.

Vai ter um forte esquema de segurança para manter a ordem e proteger os torcedores.

Vai ter um forte esquema de segurança para reprimir as manifestação e “descer o cacete” nos “vândalos”, conforme sugestão de Ronaldo, o Fenômeno, até pouco tempo membro do Comitê Organizador Local.

Vai ter hexa, festa, comemoração.

Tô nem aí, só quero mesmo o feriado. Vai ter feriado, né?

 

Certa vez, William Bonner comparou o brasileiro médio a Homer Simpson, aquele personagem da série Os Simpsons, que vive bebendo cerveja Duff, nunca leu um livro, vê TV compulsivamente. Em um episódio, Homer descobre que pode trabalhar em casa se tiver obesidade mórbida. E então ele se entope de comida até atingir seu objetivo. . Qualquer semelhança com o jeitinho brasileiro é mera coincidência. Ou não.

 

Sim, Homer é bem parecido com o brasilero comum. Às vesperas da Copa do Mundo, ouvimos  o discurso “o Brasil não vai pra frente, aqui só tem corrupto, esse país é uma vergonha, não voto em ninguém pois aqui só tem ladrão”.

 

Pois bem: a mesma pessoa do discurso complexo de vira-lata acima pode ser visto desfilando com uma bandeira do Brasil no carro, a casa toda enfeitada em verde e amarelo, muita festa e orgulho do futebol que representa nossa nação.

 

“Ah, mas são coisas bem distintas: torcer pelo futebol é uma coisa, ficar indignado com a roubalheira é outra.” Até aí tudo bem. Mas e o ufanismo? Faz sentido?

 

Temos orgulho do país. No futebol. Na Copa. De quatro em quatro anos. Só desfraldamos bandeiras no mundial de futebol. Patriotismo sazonal. Nas olimpíadas, onde vários esportes são representados, não se vê a mesma comoção. Até quando Guga venceu Roland Garros por 3 vezes, apesar de toda a festa, o que se viu foi um certo desdém do resto do país: o campeão é um manezinho da ilha, não um carioca ou paulista.

 

Lógico que vai ter Copa. Bem mais que um torneio de futebol, o Mundial da Fifa é um evento dos mais importantes do esporte no mundo. Há interesses financeiros e políticos.  E não é de hoje que os políticos tiram uma casquinha dessa festa: de Médici a Dilma, passando até por FHC e as cambalhotas de um Vampeta bêbado na rampa do Planalto. Ah, e o Ronaldo, que antes dizia que “Copa não se faz com hospitais e sim com estádios” agora diz que “nâo vai ficar nenhum legado após a Copa”. Bem conveniente para quem agor apoia Aécio Neves.

 

E o Homer Simpson da Silva vai festejar, escrever “vai ter equiça” em um muro, beber, agitar a bandeira e dormir no sofá. Depois vai acordar, xingar o governo, esbravejar com os preços, taxas, impostos. E no dia da eleição vai pescar com os amigos, reclamando da obrigatoriedade de votar. Soa familiar, não?

 

Página de nosso colunista L. A. Tecau

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