Veneno para Ratos - por Leandro Campos Alves

Veneno para Ratos - por Leandro Campos Alves

Veneno para Ratos

 

        Foto Jornaldotonho

 

        A vida nos presenteia com algumas pérolas e causos, que por momentos esquecemos no passado em algum instante no tempo, mas num piscar de olhos nos lembramos destes momentos que nos trouxera muita alegria e paz.

        Eu lembro-me deste caso que aconteceu num dia como outro qualquer, era o cair da tarde e o início de uma noite de verão. Eu e meu futuro cunhado estávamos esperando a Ave Maria tocar para encontrarmos alguns amigos e jogarmos conversa fora.

        Boa prosa, boa companhia e muito causo acompanharia nosso “happy hour”.

        Para não deixar a conversa vazia e meus amigos leitores sem saber o que significa tocar Ave Maria irei explicar. Nas cidades interioranas de nossas Minas Gerais ainda se conserva a tradição de tocar nos alto falantes das igrejas a Ave Maria ao cair das dezoito horas em ponto, e como todo bom mineiro, meu cunhado só toma qualquer bebida que contém álcool depois deste horário. Mesmo sendo feriado, finais de semana ou festas.

        Mas voltando ao causo.

        Estávamos numa mercearia que mais parecia um grande mercado, pois tudo ali se encontrava: tudo mesmo, até pinico de louça ainda existe lá para vender.

        O proprietário daquele recinto era um senhor de seus setenta anos, forte e altivo, com seus cabelos grisalhos, porém de poucas palavras. Mesmo sendo amigo daquele senhor que começo a tratá-lo por Antônio, eu só ouvia sua voz quando lhe perguntavam alguma coisa.

        Antônio era sempre objetivo e direto em nossas indagações. Mesmo parecendo ele ser de pouquíssimos amigos, era um senhor muito querido por todos.

        Antônio sempre tinha a sua companhia auxiliando nos negócios, seu filho caçula, que ao contrário do pai, era muito falante e extrovertido.

        Mas nesta noite em questão, em meio as nossas conversas, pedidos de cervejas e tira gostos, entravam clientes na mercearia e saía outros tantos.

        Assim foi por longo tempo, mas um em especial nos chamou a atenção, pois conhecíamos de longas datas e sabíamos que ele era muito sacana e gostava de aprontar com todos.

        Seu nome era João.

        Tão logo entrou na mercearia cumprimentando a todos, nos avisou que ele ensinar-nos-ia a comer carneiro ensopado, mas esta é outra história que nem sei se terei coragem de contar.

        Mas como sabíamos que boa coisa não viria dele, começamos observá-lo quando ele aproximou-se do balcão para fazer seu pedido.

        Ao cumprimentar seu Antônio, João lhe perguntou se tinha na mercearia remédio para ratos, pois sua casa esta cheia deles.

        Seu Antônio gentilmente respondeu que sim, porém tinha ele saber o que tinha os ratos de João, se era dor de barriga, dor de cabeça ou outra doença.

        Achei um pouco de graça desta resposta, João merecia o trocadilho, mesmo já tendo escutado em outras oportunidades este dito.

        A risada da turma foi geral na mesa em que estávamos, foi quando João nos olhou e chamou Antônio de bobo, alegando que além de velho agora ele estava fazendo piadinhas.

        João desta vez com olhar sério afirmou novamente que ele não queria remédio para seus ratos, e sim, veneno, pois para falar a verdade os ratos nem seus não eram e sim intrusos de sua casa.

        Antônio buscou na prateleira um frasco plástico e respondendo a João afirmou que tinha sim.

        Antônio pôs o frasco sobre a mesa e pergunto se João iria levar.

        A resposta de João foi imediata.

 

        “Não seu bobo, eu vou trazer meus ratos para comer aqui...”

 

        Sabíamos que João não sairia da mercearia sem dar seu troco, foi uma algazarra geral depois daquela resposta e, o senhor Antônio saiu de fininho deixando seu filho no seu lugar.

 

Contos e Crônicas de  Leandro Campos Alves.


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