Vidente Dragão - por Karem Schumacher

Vidente Dragão - por Karem Schumacher

VIDENTE DRAGÃO

 

As lembranças ainda perturbavam seu sono, costumava acordar no meio da noite tremendo, com p grito abafado e preso na garganta, todas as noites, desde aquela tarde quando uma mulher estranha fora apresentada a ele.

Uma mulher assustadora, com ar sinistro e uma aparência de dar medo, por vezes ele imaginava que os pesadelos eram decorrentes mais por conta da sua presença do que suas palavras. A mulher era deformada, suas pernas eram coladas em uma estanha deformidade que a fazia parecer um réptil asqueroso, ela fizera questão de se mostrar inteira a ele, erguendo o vestido para que ele desse crédito ou apenas se deixasse impressionar no momento.

Seu amigo, um milionário excêntrico costumava oferecer aos amigos as mais bizarras festas, festas sinistras, outras regadas a drogas, algumas algo como orgias grotescas. Por vezes festas de terror, mas essas em particular eram restritas a pequenos grupos especiais.

Naquela noite o tema era alguma coisa relacionada a astrologia e misticismos esotéricos, seu amigo dissera que seria inesquecível, bem ele estava certo, Zakk não conseguia mais se livrar das imagens e das palavras que ouvira da mulher, a vidente dragão como era conhecida pelos antros do submundo de onde ela tinha surgido.

Cada vez que fechava os olhos, ele via a cauda, no lugar das pernas, com marcas estranhas que lembravam escamas, seu rosto tão sinistramente assustador quanto o corpo o fez sentir calafrios. Ela usava uma maquiagem vulgar com sombras azuis tão fortes que Zakk pensou em palhaços malvados. Sua voz era rouca e baixa tudo parecia ser perfeitamente adequado para o cenário da noite.

As pessoas ao redor não pareciam estar sentindo o estranho desconforto e nojo que sentia, todos pareciam se divertir a valer, ele ouvia as risadas, as taças batendo, o barulho das garrafas e um tipo de música indiana, ou qualquer coisa parecida vinda do continente asiático.

O rapaz tentou com todo o esforço se manter afastado do grupo que cercava a vidente, ele não conseguia evitar a repulsa que a criatura lhe causava.

Depois de algumas doses de uísque, ele parecia se sentir mais calmo e relaxado, por um momento chegara até mesmo a se esquecer da convidada medonha e distraidamente procurava um lugar onde pudesse calmamente apreciar um de seus valorosos cigarros, caminhava em direção a uma porta envidraçada que estava aberta, lá poderia ficar sozinho por alguns minutos sem ser obrigado a sorrir forçadamente ou entabular conversas sem sentido.

Estava com o cigarro entre os lábios, em via de acendê-lo quando a voz o fez estremecer,

-Você não devia fumar jovem.

A mulher dragão estava, parada entre as sombras de um arbusto e ele não havia percebido sua presença até o momento, o susto foi tamanho quem deixou o isqueiro cair das mãos trêmulas.

-Perdoe-me, ele gaguejava tentando disfarçar o descontrole.

-Você tem medo, acalme-se, eu estava esperando por você.

-Por mim? Mas... com qual finalidade?

-Preciso lhe dizer algo, venha, aproxime-se.

Zakk lentamente forçava seus passos em direção a mulher, não queria ter que encará-la de perto.

Ele parecia sonhar, ele estava dizendo coisas com os olhos fechados, como se estivesse realmente sentindo ou ouvindo algo além.

Ele se afastou tão bruscamente, que tropeçou em um vaso, caindo, tentava se levantar, mas suas mãos pareciam escorregar e quando por fim conseguiu se levantar, saiu correndo sem olhar para trás ou mesmo se despedir de seu anfitrião.

 

 

Todas as noites, ele acordava em sobressalto depois daquele dia, todas as noites as palavras ecoavam, todas noites tentava negar o que a vidente dragão dissera, todas as noites, olhava para a corda pronta com o nó, esperando pacientemente até que ele decidisse.

O suor frio ainda escorria de seu rosto, acendeu um cigarro, parecia apreciar imensamente as tragadas, sem se importar, jogou a ponta do cigarro no chão, sorria, a cadeira já estava pronta, que a colocara ali? Agradeceria na primeira oportunidade, mas agora era hora, a mulher dragão esperava, não havia como fugir, a cadeira caiu, um barulho de ossos partindo, silêncio.

 

 

 

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