Vivo no paraíso - por Helena Santos

Vivo no paraíso - por Helena Santos

VIVO NO PARAÍSO

 

Sentada na varanda, livro na mão e olhar perdido, no que está para lá do alcance da minha visão, mas não da minha imaginação, aprecio o entardecer, que vai chegando de mansinho, com as suas cores deslumbrantes e cheiros cativantes. Ao longe observo os campos verdejantes e floridos com os seus ocupantes: ovelhas, cabras e vacas a pastarem uma erva tão verde que até brilha. E descontraidamente passeiam-se pelo extenso espaço a que têm direito, tão serenos, como se mais nada existisse, gozando da sua liberdade, privilegiando a beleza de um pequeno rio que corre pacatamente e que serve para lhes saciar a sede. As árvores, umas enfeitadas com belas flores, outras com as suas novas folhas, sinal de que a Primavera embora envergonhada, já chegou. No horizonte vejo montes e serras e a minha imaginação para lá voa. Na varanda, bem junto a mim, melros e outros pássaros não param de poisar…e voar. No jardim outros pássaros vêm e vão e alguns entram pela porta da cozinha como se a casa lhes pertencesse e  ali eu não estivesse. Fico maravilhada. Há uma árvore, não minha, mas do vizinho que acabamos por partilhar de tão grande ser. E é nessa árvore que os passarinhos fazem as suas Tertúlias Poéticas de sessões contínuas. Não se cansam de tanto declamar poesia e eu não me canso de os ouvir. Do vizinho também vem o cacarejar das galinhas, o cantar do galo, a melodia das rolas e claro, o ladrar dos cães para se juntar ao do meu. Do outro lado oiço um tractor com o seu dono a preparar a terra para semear o que mais tarde irá colher. Outros, aqui e acolá, noutros terrenos ou nos próprios jardins fazem o mesmo. E há  uma nascente, junto ao meu portão, onde se pode ver a água a brotar do chão. Com o chegar da noite, cantam os grilos, cigarras e outros bichos nocturnos que a minha ignorância não me deixa identificar, mas o importante é eu me encantar. Tenho uma sinfonia nocturna todos os dias. Parece que vivo no campo. É uma paz, uma serenidade, uma calmaria, que quando tenho disponibilidade de relaxar e dar atenção a tudo o que me rodeia, penso: EU VIVO NO PARAÍSO, faz-me tão bem à alma e dá-me tanta alegria.
 

Helena Santos

 

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