Volmer Silva do Rego - Entrevistado

Volmer Silva do Rego - Entrevistado

Revelador e provocativo surge “O Olho de Aldebaran” 

 

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Volmer Silva do Rego - maio de 1960 em Recife - PE. Após a morte do pai ("efeito dito 'técnocolateral' das perseguições da ditadura militar instaurada em 1964), veio ainda criança com a mãe e outros dois irmãos pequenos para São Paulo, onde vive até hoje. Graduou-se bacharel em Jornalismo, obteve Licenciatura Plena em Literatura e Língua Portuguesa e pós-graduou-se em Sociologia-Ciência Política. Atua como professor de  Língua Portuguesa e Espanhola, Sociologia e Filosofia na rede estadual de educação de São Paulo desde 1991, mas foi readaptado para a sala de Leitura de uma unidade escolar. Na década de 1980\90 foi revisor no Estadão, redator no Jornal da Tarde e no extinto Diário Popular, pesquisador e redator no Grupo Abril, e Assessor de Imprensa para instituições e personagens do mundo político cultural de São Paulo. Tem vários livros de ficção e não ficção, alguma poesia, é músico baterista (LPs e Cds gravados) e pintor (com várias exposições em salas da cidade, incluindo a 3ª Bienal Internacional de Santos - e Mostra MASP com o prêmio Prefeitura\Galaxy Philip Morris)...No momento está tentando concluir 3 livros - Crônicas II (reunião de textos e artigos acadêmicos), Sagasseca - Peregrinações circulares (romance histórico biográfico) e Nem toda a poesia (poemas), mas já tem adiantados outro tanto: Pernósticas paulistanas (romance teratológico); Cume do Mal (novela de ficção); Temeratus (romance policial) - 12 livros no total...

 

“Será que teremos espaço\tempo para uma recuperação, um recomeço... É desta tentativa, deste resto de humanidade se esforçando para sobreviver aqui, numa arca cósmica, ou em outro planeta, quem sabe? É disso que o livro trata...”

 

Boa Leitura!

 

Escritor Volmer Silva do Rêgo é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor, conte-nos, em que momento pensou em escrever o seu livro “O Olho de Aldebaran”?

Volmer Rêgo - Fui Assessor de Imprensa da DMR\USP e da Dra. Linamara Rizzo Battistella (presidente da SBMF&R) em São Paulo. À época (1996), o ambiente\relações de trabalho favoreciam o convívio diário com pessoas que utilizavam próteses em diversas partes do corpo por diferentes motivos. Eram tratados com equipamentos sofisticados de medicina computadorizada avançada, por médicos experientes e atenciosos. Tanta tecnologia e o ambiente ‘clean’ me deixaram perceber que havia ali uma ‘cultura’ ciborgue. Eram ciborgues e viveriam melhor em meios sociais adaptados, embora convivessem naturalmente na crueza da cidade. Um insight me motivou a observar mais criticamente a urbe, traçar um provável futuro cujo cenário potencializasse estas relações psicossociais dramáticas, e oferecer um olhar diferenciado à equação: pessoa X cidade X qualidade de vida X tecnologia X futuro da humanidade...

 

Como foi a escolha do Título?

Volmer Rêgo - A dissolução do tecido social (um conceito psicossocial já questionável) perceptível na atualidade, os problemas da grande cidade, o ajuntamento de milhões de pessoas em espaços cada vez menores, as disputas, o acirramento da competitividade como motor de desenvolvimento pessoal para ascender socialmente, a decadência e as balelas da autoajuda, da pseudopsicologia (como viver melhor dentro da cela), estas e outras considerações (algumas de cunho pessoal) me angustiaram pela dimensão que atingiram na virada do século, do milênio, e eu não via respostas para o modelo. Ainda não as vejo. “É meu signo elemento terra”, pensei (risos), sensível às mudanças e alterações climáticas (era um assunto em explosão) ... Mas, não é só uma preocupação ecológica, ‘natureba’... Eu estou vendo isso acontecer. Eu leio, eu estudo, pesquiso e procuro me informar. Meu olho, um olho maior que o meu, fora do quadro, observando... Ou seja, não estou sozinho...Não é minha “loucura”! (risos)...

 

Quais os principais desafios para escrita desta obra literária?

Volmer Rêgo - Ter de assumir que é uma época de dissolução, de mudanças, às vezes mais rápidas do que podemos suportar, entender. E que ela se dá em diversos paralelos simultaneamente. O todo imbricado da existência que não se pode entender isoladamente, de forma estanque, compartimentada, como querem nos fazer crer os paradigmas mercadológicos produzidos em laboratórios... Há um tempo de ascender e um de descender, estamos decaindo, em direção ao caos. Os hindus dizem isso em sua teogonia, os gregos, os maias, os arianos, a ciência aponta fenômenos atuais desta dissolução. Será que teremos espaço\tempo para uma recuperação, um recomeço... É desta tentativa, deste resto de humanidade se esforçando para sobreviver aqui, numa arca cósmica, ou em outro planeta, quem sabe? É disso que o livro trata...

 

Em “O Olho de Aldebaran”, alguns humanos vivem sem religião, sem política, sabemos que se trata de um enredo fictício, no entanto, conte-nos através de sua experiência em estudos e pesquisas, como você vê o Mundo sem política e religião?

Volmer Rêgo - O livro cria esta situação de um retorno a um naturalismo exacerbado, a um estado pré-social forçado. A própria humanidade, o ‘modus’ existencial, aliado às condições naturais do planeta e do cosmo (na verdade, o caos) conduziram a este “apocalipse, armagedom, ragnarock, chaos” o que seja, em que se duvida da religião cada vez mais sem religiosidade, a coisa empresarial, negociável, politizada, em que as fronteiras da fé e da razão se mesclam, sem apresentar soluções, apenas mais confusões, e por sua vez esta mistura contamina todo o resto, acrescentando uma nota de descrédito absoluto às instituições, às convenções, e talvez à própria humanidade... Nenhuma sociedade, nenhuma civilização suporta uma revolução por dia sem ter de pagar um preço alto por isso...

 

O que mais o encanta em “O Olho de Aldebaran”?

Volmer Rêgo - É um livro de desencanto. Realismo fantástico, pós civilizacional, eu diria. A poética de sua prosa corrosiva e densa não rima com esperança. Isso é um pouco meu lado escuro, abalado e talvez enfermo por\com tanta (des)informação... Afinal, sou fruto da geração do golpe militar de 1964... Mas, o personagem central, um jovem pesquisador, Agstern, encontra o amor numa mulher, Mathilda, também pesquisadora, e ambos cheios de vida decidem contestar e furar a barreira do sistema da cidade onde vivem e procurar respostas, soluções, fora daquela caverna (uma alusão ao mito platônico). Sair da cidade futurista, asséptica, localizada no fim da história da humanidade, desta humanidade, em que os últimos humanos restantes do planeta Terra, depois das Volúpias (guerras nucleares), procuram sobreviver e recomeçar nalgum outro “paraíso”, orientados por cientistas místicos e 'superiores', detentores do conhecimento que a nova Língua (uma mistura de tudo o que sobrou) e a nova Lei lhes permite compartilhar com o resto dos habitantes.

 

Você tem outras obras publicadas, qual dos seus livros além de “O Olho de Aldebaran” tem se destacado no mercado literário?

Volmer Rêgo - É verdade... Na introdução do meu "Conceitos Básicos de Filosofia e Política no Século XXI" está melhor esmiuçada parte deste emaranhado de indagações que O Olho propõe. É uma introdução paradidática ao tema ficcional, digamos assim (risos) ... Mas, tenho livros que abordam assuntos diferentes por óticas diferentes. “Vários Contos de Reis” (contos), “Manual Geral do Desempregado” (ensaio), “Arestas” (crônicas I), que estou terminando o segundo volume, “Sagasseca – Peregrinações circulares” (também em fase de acabamento) e outros... É um paradoxo – é muito difícil ser escritor no Brasil. Publicar é caro.... Ler é um luxo, para poucos, à despeito das feiras literárias e grandiosas das bienais, o glamour das FLIPS.... Nas escolas você já percebe este distanciamento.... É meio desolador.

 

Como leitor o que mais o atrai nesta obra?

Volmer Rêgo - O desafio que uma obra de conteúdo suporta é o de encontrar leitores capazes de entender, de se deliciar e\ou criticar a obra, encontrar um espaço-tempo confortável de pertencimento e de distanciamento do que lê, de sair do lugar comum, raso dos romances de folhetins, de consumo, que seguem fórmulas eficazes descritas por acadêmicos, ou editores e espertos literários. A comodidade oferece um conforto, mas não avisa do preço alto da modernidade a ser cobrado, as coisas semidigeridas, de meia hora, sabores viciantes... A vida não se resume às prateleiras. Se um livro meu consegue tirar o leitor de sua zona de conforto e o leva à uma reflexão, se o fizer atravessar a rua e andar na outra calçada, ainda que na mesma direção então terei conseguido algo com meu trabalho... se me der algum dinheiro, melhor ainda. Fecho um ciclo. Quer algo mais atraente?

 

Onde podemos comprar os seus livros?

Volmer Rêgo – Abaixo links para compra do livro

Livraria Cultura - http://www.livrariacultura.com.br/p/o-olho-de-aldebaran-42750730

Scortecci - http://www.scortecci.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=10074&friurl=_-O-OLHO-DE-ALDEBARAN---Volmer-Silva-do-Rego-_

Amazon - https://www.amazon.com.br/Loja-Kindle-volmer-silva-do-r%C3%AAgo/s?ie=UTF8&page=1&rh=n%3A5308307011%2Cp_27%3Avolmer%20silva%20do%20r%C3%AAgo

 

Quais os seus principais objetivos como escritor?

Volmer Rêgo - Seria desonesto se eu dissesse que não quero vender meus livros. Poder interagir com as pessoas através deles, participar de encontros e debates sobre os temas discutidos, viver e aprender mais com gente que trabalha melhor com as questões que me interessam, enfim ser reconhecido como um escritor, um homem que vive de seu trabalho intelectual e sentir-se bem com isso...

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o Volmer Silva do Rêgo. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa?

Volmer Rêgo - Alguns livros são como mensagens numa garrafa lançada ao mar. A humanidade está ilhada numa grande multidão cercada de confusões por todos os lados. Alguns tem a ideia (antiga, fora de moda, desbotada) de jogar garrafas com mensagens ao mar... Vivemos lançando mensagens à toa? Poluímos as praias do mundo... Talvez não precisemos mesmo de uma cabeça, de um sentido de organização, de um órgão que nos oriente como espécie, como um deus, para nos conduzir a algum lugar... Talvez viver seja apenas o ciclo biológico se construindo, se desfazendo, se reconstruindo... E se o pensar nisso puder descortinar um caminho de felicidade para alguém, então que se jogue ao mar e divida a mensagem com outros...

 

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