Wina - Capitulo dois - Casa - autora Francilangela Clarindo

Wina - Capitulo dois - Casa - autora Francilangela Clarindo

CAPÍTULO DOIS

 

 CASA

 
Passei algum tempo de minha vida desejando uma casa. Seria bela. Com móveis maravilhosos. Uma beleza de se ver. Uma beleza para se visitar. Minha casa. Meu lar. Minha vida.
 
Sonhava com uma geladeira cheias de sucos e coisas gostosas. Haveria sempre docinhos para as visitas em uma bela bomboniere de cristal.
 
 
Minhas visitas seriam rainhas em meu lar. Bem tratadas, vinham sempre e eram bem-vindas.
 
Tudo isto sonhei. Tudo isto fiquei horas a fio de minha existência a arquitetar. Tão bom!
 
Mas quem disse que a vida é o que sonhamos? A vida é o que temos para viver.
 
Hoje tenho uma casa. Meu lar. Minha vida. Não moro sozinha. Outros moram comigo. E cada um tem seu jeito, suas coisas, sua forma de 
ser. E temos que nos adaptar com as individualidades. Desta forma, como receber bem as visitas? Elas chegam e já não podem ser rainhas como em meus sonhos. Há outros reis que ordenam mais que elas. São especiais, mas já não 
posso dá a elas o tratamento merecido, o tempo 
necessário e a atenção exclusiva.
 
A bomboniere? Nem a peça de cristal e muito menos bombons que fiquem por mais de uma hora visíveis. 
 
Os sucos? Da mesma forma que os bombons se vão rapidamente.
 
Mas a vida não se trata simplesmente de docinhos e visitas. A vida é a vida que temos.
 
Hoje sei que meus sonhos foram e são importantes. Mas que também minha realidade, 
 
apesar de diferente dos sonhos, não é ruim.
 
Amo minha casa e as pessoas que moram comigo. Isto se chama família e viver em comunidade requer muitas renúncias, mas que são boas. Pelo bem comum e alegria de todos. 
 
E, sonhos à parte, cada um respeita o outro em sua individualidade dentro de certos limites. Também é muito bom respeitar o outro e aprender a conviver em harmonia.
 
Engraçado que sempre sonhamos que ao termos uma casa ela será nossa e com aspectos de nosso jeito de ser. Ledo engano. 
 
Nossa casa será o lar de quem vive nela.
 
E quando a temos nos damos conta de que somos também felizes dentro da infelicidade de termos nossos sonhos frustrados.
 
Vai entender a vida, as pessoas e nós mesmos. Não, não dá.
 
O que é possível de fazer é ir vivendo para ver no que vai dar.
 
 
 
 
 
 

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