Yasmine - por Fernanda Comenda

Yasmine - por Fernanda Comenda

YASMINE

 

   A sala estava iluminada, quadros de paisagens paradisíacas e de lindas bailarinas alegravam as paredes rosa choque. No ar sentia-se o cheiro de relaxantes cigarros e charutos.

     Havia uma conversa em surdina, sob uma música oriental.

     À volta das mesas homens e algumas mulheres olhavam para o palco absorvidos pelo esplendor das bailarinas, mas havia uma que saltava aos olhos de Jacob. Este seguia cada um dos seus gestos, cada um dos seus passos. A bailarina, Yasmine era o seu nome, movimentava com harmonia as suas ancas, braços e pernas, mas era a barriga que o atraía mais, parecia que tinha vida própria, movimentava-se cadenciadamente   para cima, para baixo, lado esquerdo, lado direito…era uma pele delicada, que macia deveria ser!...

     Naquele momento, as outras bailarinas desapareceram aos olhos de Jacob, era só aquela, sozinha, que no meio do palco o enchia. Os seus cabelos pretos, soltos, levemente ondulados, esvoaçavam e dançavam uma dança de ave mágica. E agora, eram os braços, tal como duas asas de águia, deslizavam para baixo, para cima… ondulavam como ondas magníficas, maravilhosas e poderosas no meio do oceano…

     E as pernas bem torneadas saltavam, rodopiavam, abriam e fechavam, eram o portal do amor, mágico, sublime, uma porta misteriosa…

     Os pés, lindos, eram a carruagem daquele belo corpo, eles brilhavam cobertos de purpurinas coloridas…

    Pietro apertava os lábios humedecidos pela sua saliva, os olhos brilhantes de desejo, as mãos húmidas pelo prazer que antevia… e a bailarina manuseava harmoniosa e eroticamente o seu maravilhoso corpo…

   Pietro, de repente, fixou-se no rosto de Yasmine, era lindo, divino, ele tinha dificuldade em descrever aquele rosto que lhe entrava pelos seus olhos, absorvia-lhe o seu cérebro e o tornava dependente daquela imagem. O rosto de Yasmine era oval, pele dourada pelo sol, brilhante, apetitosa e com feições de anjo. Dir-se-ia que era mulher anjo-demónio: cara angélica que o levava ao divino, corpo e comportamento que o elevavam ao calor intenso!...

     A dança acabou, as bailarinas saíram do palco, no entanto, aquela imagem de mulher anjo-demónio não o deixava. Queria conhecê-la, já sabia o seu nome, porque o garçon do bar lhe dissera. Foi aos camarins. Encontrou Yasmine, conseguiu sentir o seu perfume, quase que sentia o calor do seu corpo que ondulava ao caminhar, a magia perpetuava, mas Yasmine abraçou e beijou outro que apareceu, a quem ela chamou de “Mon amour!”. Pietro desiludido e triste regressou à sala do cabaret e mais tarde a sua casa.

    Nessa noite, sonhou com a bela Yasmine, com a sua dança de acasalamento e com o seu corpo de deusa grega…

Yasmine, Yasmine, és minha nem que seja em sonhos!... – dizia em voz alta!

 

 

Conheça outros parceiros da rede de divulgação "Divulga Escritor"!

 

        

 

 

Serviços Divulga Escritor:

Divulgar Livros:

 

Editoras parceiras Divulga Escritor