A complexidade de ser professor - por Tânia Dantas

A complexidade de ser professor - por Tânia Dantas

Tendo em mente que o professor é o principal ator (entre outros) na configuração de processos de ensino aprendizagem, é preciso concebê-lo, como nos diz Gómez (2001), como um profissional que reflete criticamente sobre a prática cotidiana a fim de compreender as características específicas daqueles processos, bem como sobre o contexto em que o ensino tem lugar para que possa, assim, facilitar o desenvolvimento autônomo e emancipador dos participantes do processo educativo. A partir da reflexão é que podem surgir os processos de significação visando ampliar sua compreensão e atuação frente ao ato complexo da docência.

Há algo que antecede a ação docente, há algo que acontece durante a ação docente e há algo que acontece quando se reflete sobre a ação docente já realizada. Por meio desta tríade, é que ampliamos nosso entendimento sobre a ação docente realizada e projetamos ações futuras. Por isso, não basta apenas ter o domínio do conteúdo e de algumas técnicas pedagógicas, é preciso ir além. No entanto, esta visão simplista da prática docente ainda parece ser hegemônica para a maioria dos professores.

A ampliação de sentidos e significados da prática docente se dá na medida em que possibilita uma percepção da realidade em movimento, implicando coerência e abertura epistemológica para perceber que ações docentes se desenvolvem em contextos singulares, mediadas por sujeitos também singulares, estabelecendo um diálogo entre o pensamento cotidiano e o pensamento científico.

Neste texto, o docente é apresentado enquanto sujeito aprendente, diante da necessidade de aperfeiçoar suas práticas, contribuindo para o desenvolvimento da qualidade educativa e formação profissional, bem como há também a intenção de destacar a importância da formação continuada, tendo como referência as possibilidades de reflexão.

Ensinar deixou de ser «dar boas lições» para colocar os alunos em situações que mobilizem e estimulem o saber fazer e o saber aprender, de modo a dar sentido ao trabalho e ao saber, com o desenvolvimento dessas competências, esperamos que o profissional encontre estratégias significativas de ação, analisando cada situação e escolhendo a resposta mais adequada, já que não existe uma regra a ser seguida, apenas princípios norteadores que dão suporte à prática docente. Tendo em vista a formação e a atuação de professores, é preciso pensar também no que faz o professor, ou seja, qual é sua tarefa, qual é seu trabalho e quais condições de trabalho ele enfrenta.

Diante da complexidade deste contexto, Codo & Menezes (1999, p. 43) consideram a função de educar como um “ato mágico e singelo de realizar uma síntese entre o passado e o futuro, o ato de reconstruir os laços entre o passado e o futuro, ensinar o que foi para reinventar e re-significar o que será”. Ainda, segundo os autores, é parte da tarefa do professor “retomar o passado, refazer os vínculos com o presente, reorganizar o futuro” (Codo & Menezes, 1999, p. 44). Neste sentido, podemos considerar esta tarefa como produto do trabalho dos profissionais da educação, e não apenas uma responsabilidade do professor.

REFERÊNCIAS:

CODO, W. & MENEZES, I. V. Educar, educador. In: CODO, W. (org.). Educação: carinho e trabalho. Petrópolis: Vozes, 1999.

 

GÓMEZ, A. I. P. A cultura escolar na sociedade neoliberal. Porto Alegre: Artmed, 2001.

publicado em 30/03/2014

 

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