A janela - por Lígia Beltrão

A janela - por Lígia Beltrão

A janela

 

Ela postou-se esperançosa, debruçada na janela do tempo. Procurava o seu amor. O vento zunia, cantando baixinho, uma canção de saudade. Ela imaginava seu sorriso gostoso, escancarado, após contar uma piada, muitas vezes sem graça, mas ela ria. E ria gostosamente, não da piada, mas daquele sorriso de menino, carente de afeto, de abraços apertados, de beijos de amor. Ela fazia questão de mimá-lo agora. De dar-lhe tudo isso, de fazê-lo feliz.

 

A noite vestira-se de negro, enlutada de amor. O silêncio predominava massacrando a sublimidade das horas. A lua cheia de luz quase caindo na terra, escondia-se entre as nuvens pesadas do tempo sombrio. As estrelas silenciaram para ouvir seu suspirar. O céu era um deserto, ante seu olhar distante. Quedou-se pálida, buscando no tempo as respostas à sua dor. Só o murmúrio do vento cantava baixinho fazendo compasso com o vazio das horas.

 

Pensava que tudo fora um sonho. Um sonho ruim, que tinha vindo zombar do seu coração e brincava com ela de faz de conta. Mais um suspiro de desencanto... Todos os seus sentidos gritavam por ele. Só o canto dos grilos e o coaxar dos sapos se misturavam ao som dos ventos e quebravam o silêncio da noite deserta. A lua descobre-se alumiando. Era plenilúnio, mas ela havia esquecido o quanto amava a lua cheia e só via o escuro da vida.

 

Fez-se desejos. Foi vencida pela dor da solidão. Seus olhos sempre sorridentes viraram oceanos profundos, donde suas águas salgadas inundavam seu coração dorido. Escutava a gargalhada que se distanciava e se perdia no vácuo do tempo. Vestiu-se de saudade...

Já fora tão feliz!

 

O seu amado encantara-se, no desconhecido das horas infindáveis do eterno. De repente, ergue os olhos procurando o alento do alto. Uma estrela pisca-lhe. Espera que ela desça mais baixo, com intenções de tentar pegá-la. Inutilmente fez seu pedido, como quando era criança, mas era impossível reverter a vida.

 

Não havia príncipe montado em cavalo branco de crinas douradas, nem desejo forte que o trouxesse de volta. Só no seu coração. O amor fez-se eterno, como todos os amores. Novamente suspirou. Fechou a janela do tempo e foi dormir. O sonho, também, adormeceu.

 

Quando o dia acordou com todos os seus sons, ruídos e gritos ela permaneceu quieta. Havia conseguido encontra-lo, finalmente. Agora abraçados, os dois olhavam seu corpo inerte, antes de seguirem para a felicidade eterna. Ele ouvira seu chamado. Olhavam-se os dois, agora, felizes.

 

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