A Vida e a Verdade - por Lígia Beltrão

A Vida e a Verdade - por Lígia Beltrão

A Vida e a Verdade

 

O trem segue soltando fumaça pelas ventas.

Aqui e acolá apita para avisar da sua passagem.

Estava vivo! Saudava-o a aragem

Segue em frente – dizia o tempo – Será que aguentas?

 

Vagão cheio. Gente se esbarrando.

Palavras soltas. Risos disfarçados.

Esperança no ar. Desejos exaltados

Parecia que todos estavam se amando.

 

Caminho ladeado de flores

Verde subindo as encostas das colinas

Borboletas voando, ainda meninas,

Mar bramindo, se contorcendo em dores.

 

Vagão cheio. Gente se olhando.

Sonhos... Cadê os sonhos?  Morrendo.

Esperança se contorcendo

Homens perdidos, agora vagando.

 

Vagão sem prumo

Cansado. Silencioso

Olhar impiedoso

À vida sem rumo.

 

Trem despencando. Olhos baços

Dores insuportáveis

Calados, agora, os sonhos... Já foram incontáveis...

Destino ferido e morto em cansaços

 

A vida acabou-se em meio aos destroços.

Trilhos enferrujados. Trem descarrilhado

Alegrias, dores, sonhos, estilhaços, ser acabado,

Caminho partido, resumo da vida, monte de ossos!

 

E mais nada.

 

Lígia Beltrão

 

 

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