Distorcidos - por Maria Estela Ximenes

Distorcidos - por Maria Estela Ximenes

DISTORCIDOS

 

Naquele dia, o homem vestiu trajes  femininos e a mulher  trajes masculinos. Alguém tomou  café no  sol escaldante do deserto,  depois de se despir e cobrir o corpo com  uma  bandeira negra. Seria  uma  mensagem naquela bandeira? 

A mensagem  chegou  tarde,  porque o cachorro da madame resolveu  fazer as unhas dos pés no salão de  beleza justamente naquele dia.  

Que ninguém estranhe  se por acaso a panela de pressão cantar dentro do coração, é que há muito tempo ela ensaiava uma antiga melodia  e estava  aguardando a ocasião para  mostrar o seu talento.

Se estiver faminto,  não se esqueça de comer no prato que cuspiu, enquanto uma nova refeição é preparada nas águas quentes de um vulcão. Não é a pedra no caminho que atrapalha, são os passos incertos  de algum  animal pensante.

E para quem tem insônia, dormir em pé pode ser  a solução, de preferência diante de  uma bateria  de escola de samba. Quando  estiver insatisfeito com arco-íris, use o branco, e deixe alguém ir pintando  as partes vergonhosas do mundo.

Mesmo que o seu reflexo  tenha   semelhança diante do   espelho, não se iluda, são   partículas de  imagens distorcidas pelo  tempo. E sempre existe a possibilidade de que as palavras possam ser higienizadas nas águas  do mar. Certamente era isso que aquele ser fazia diante do mar, bebia litros de água salgada na esperança de cortar o fel da língua.

Trabalhar de ponta cabeça, falar com os olhos, correr sem as pernas, perder   o fôlego; porque  fôlego não é para qualquer um – e é preciso atitude para andar nu.




 

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