Intempéries - por Lígia Beltrão

Intempéries - por Lígia Beltrão

Intempéries

 

Deus está sempre me socorrendo.

Eu ali, parada, sempre a pedir...

O tempo me testa silencioso e insolente

Enquanto guardo-me na misericórdia dos dias.

Sou (in) deslaçável de mim.

Lembro-me dos jardins de rosas

O jardim da minha infância

Que um dia morreu junto com os meus suspiros.

Teimosamente

Continuei regando a minha tira de terra

Com as lágrimas que vertia

Queria ver nascerem amores perfeitos!

Esses sim, quem sabe não morreriam, nunca?

Mas tudo o que é vivo morre.

Com o tempo descobri

Que o que brota dentro de mim,

Isso sim é imperecível.

Por isso meus jardins ainda exalam cheiros

E Deus está sempre ali

De olho em mim

Mordendo o meu calcanhar para manter-me viva.

O amor anda a crescer!

Às vezes pergunto-me:

- como tão delicada flor resiste às intempéries?

A minha tira de terra é abençoada!

As minhas lágrimas, águas santas.

 

 

 

 

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