Leonardo de Andrade - Entrevistado

Leonardo de Andrade - Entrevistado

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Leonardo de Andrade nasceu no interior do Rio Grande do Sul e começou a escrever em 2012, quando tinha 15 anos de idade, trabalhando em sua ficção As Crônicas de um Arqueiro – Midnight. Na mesma época, se envolveu no meio jornalístico ao escrever para o site GamesPROJECT. Com sua segunda obra, Outra Era, uma ficção cientifica pós-apocalíptica, esteve autografando na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Depois disso, ajudou a fundar o site de games Nova Arcade, local onde se dedicou à criação do Roteirizando, sua coluna semanal. Ao mesmo tempo, dedicou-se à criação de sua terceira obra, Ídolo Quebrado. O romance foi lançado em 2015 na cidade de Porto Alegre. Leonardo de Andrade está encerrando mais duas obras. Atualmente, escreve para o site Poltrona Nerd no cotidiano, fazendo críticas de jogos e noticias em geral, além de alguns artigos ocasionais.

 

“O Brasil é, atualmente, um dos cinco maiores mercados de jogos no mundo. Nós ainda produzimos pouco, mas consumimos muito.”

 

Boa Leitura!

 

Divulga Escritor - Escritor Leonardo é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que o motivou a ter gosto pela escrita?

Leonardo -  Provavelmente, grande parte veio da minha infância. Sempre tive ideias mirabolantes, histórias que deviam ser contadas e um gosto pela leitura. Comecei lendo quadrinhos na casa da minha avó paterna. Lá tinha uma biblioteca bem grande. Li Homem-Aranha e imediatamente o tomei como meu herói favorito. Os anos foram passando e eu continuei tendo uma afinidade com os quadrinhos, então finalmente me interessei pela leitura de um livro, quando tinha uns 10 anos. Comecei a ler os livros muito rápido, independente do gênero. Se me agradasse, eu lia. Terminava em questão de uma semana. Então, de repente, tinha as ideias e sabia como fazer de tanto ler. Resolvi escrever e deu certo. Acabei achando algo que fazia a vida ter sentido. E um vicio fortíssimo. Apesar de já ter lido muitos livros hoje em dia, ainda sou chegado em quadrinhos e possuo um acervo bem grande de ambos.

 

Divulga Escritor - Soube que és fã de Romances Policiais, o que mais o encanta neste perfil de leitura?

Leonardo -  Nunca vou dizer que tenho um gênero favorito, apesar de sempre ter uma tendência maior para esse lado sombrio que os romances policiais têm. O que me encanta nesse gênero especifico é a crueldade explicita, o jeito urbano de se contar uma história e a eterna batalha entre o bem e o mal. Agora estou terminando meu quinto livro e terceiro que se encaixa nessa categoria. A história sempre começa diferente e acaba tendo a mística do romance policial. Mesmo que não haja realmente um policial e um bandido, há o mistério no ar, os enigmas indecifráveis até a última página, a mocinha, os problemas urbanos e, claro, o bem e o mal girando em seu ciclo infinito.

 

Divulga Escritor - Com 15 anos começou a realizar análise de Games em Geral, como você avalia os Games atuais?

Leonardo -  Os games atuais estão inseridos em um mercado crescente. O Brasil é, atualmente, um dos cinco maiores mercados de jogos no mundo. Nós ainda produzimos pouco, mas consumimos muito. Cada vez mais produtos são importados e fabricados aqui todos os dias. Temos novos eventos surgindo, como a Brasil Game Show. Temos dublagem. Isso é importante. Agora os jogos são uma arte e não coisa de criança. Fazemos parte da tendência que eles seguem. Precisam sempre se renovar. Até algum tempo, com a inovação dos videogames, o pedido eram melhores gráficos. Agora que as coisas estabilizaram um pouco, acredito que a tendência virá a serem universos expandidos, longos tempos de jogatina e coisas incríveis que podem ser realizadas dentro da máquina. Estamos em um mundo digital, sempre conectado. A interatividade vem se tornando importante nos videogames. A tendência dos games atuais é dar espaço para desenvolvedoras independentes e elas irão apresentar universos que só existem dentro das telas, fazendo o jogador imergir e então passar uma mensagem.

 

Divulga Escritor - Em que momento pensou em escrever o seu livro “As Crônicas de um Arqueiro – Midinigth”?

Leonardo -  Na verdade, foi uma coisa que surgiu de repente. Eu me interessava muito por jogos na época e tinha ideias de histórias para mesas de RPG, então essas coisas ficavam na cabeça. Logo em seguida, em 2012, acabei indo escrever para o site GamesPROJECT. Lá eu redigia noticias, fazia artigos e tudo bem mais relacionado aos jogos digitais. Mesmo assim, eu ainda cultivava aquelas histórias e ideias que tinha na cabeça. Então um dia comecei um rascunho de algo que já tinha feito há 1 ou 2 anos. Comecei mais páginas e quando vi estava terminando a história. No final do ano tinha umas 150 páginas. Era um livro. Outra vez, eu tinha mais ideias e precisava desesperadamente me livrar delas. A ideia original do meu primeiro livro era para ser uma trilogia, mas acabei tomando gosto por outros gêneros e decidi partir para outra. Publiquei o livro de modo autônomo, com o incentivo de alguns familiares e uma professora minha, qual se tornou uma grande amiga.

 

Divulga Escritor - Em que se inspirou para construção do enredo da obra?

Leonardo -  A ideia original do meu primeiro livro surgiu em uma mesa de RPG. Estávamos jogando com essa ideia, que era minha, e fomos elaborando um pouco. No livro, as coisas seguiram de forma bem diferente, mas mantive o essencial. Na época eu lia o Ciclo da Herança, de Christopher Paolini. Havia lido também a saga Rangers, de John Flanagan. Foram livros que me inspiraram muito. Especialmente Eragon. Paolini havia escrito na idade em que eu estava. Foi realmente motivador estar lendo e continuar escrevendo.

 

Divulga Escritor - Leonardo, conte-nos um pouco sobre o seu livro “Outra Era”.

Leonardo -  Outra Era é uma história bem dividida. Ela se passa em dois tempos. Apresento cerca de dez anos de cada um desses tempos na vida de Josh, o protagonista. A vida dele era normal. Estava prestes a casar, trabalho estável e, de repente, o mundo como conhecemos acaba. Circunstâncias desconhecidas. É uma era pós-apocalíptica, com pouca população, poucos suprimentos e muita brutalidade. Como um homem civilizado se comporta ao voltar para um tempo sem moral? Enquanto eu narro uma aventura de ficção-cientifica, tento sempre voltar para esses pontos. Ainda conheço muita gente que chama meu protagonista de herói, apesar de que essa não é a visão correta dele.

 

Divulga Escritor - “Ídolo Quebrado” é o seu último lançamento literário, como foi a escolha do Titulo para a obra?

Leonardo -  Quando tenho a ideia para um livro, a primeira coisa que penso é o final. Não sei como as coisas vão se desenrolar, mas tenho um final pronto em minha mente. Sei o que vai acontecer com o protagonista e como ele vai ficar. Então o título surge sozinho. A partir daí começo a elaborar a narrativa e todos os fios vão se alinhando para aquele final que imaginei. Meus títulos, na maioria das vezes, são o significado oculto do que eu escrevo. Os títulos para mim são o cerne da história e o que pode descrevê-la em meras duas palavras. Então Ídolo Quebrado é simbólico, representa Evan, protagonista do livro, e a luta com seu maior inimigo.

 

Divulga Escritor - Quais os principais desafios para escrita de “Ídolo Quebrado”, e como os desafios foram superados?

Leonardo -  Um dos principais desafios do livro foi manter a identidade de um dos personagens escondida. A ideia central era nunca revelar quem ele é e deixar cada leitor decidir por si só. Foi difícil porque nem eu mesmo estou muito certo quem ele é. E gosto de trazer personagens de volta em meus outros livros. Não vou poder fazer isso com ele ou destruiria a ideia central. O que fiz foi simplesmente criar diálogos estranhos para ele, misteriosos, e deixar sempre uma sombra de dúvida. Havia também um problema de encaixar os personagens. Na minha ideia original, três personagens seriam pilares fundamentais na vida do protagonista e acabei por diminuir o espaço de um deles. Escrevi o livro em uma máquina de escrever, foi exaustivo e o personagem não se encaixava mais como deveria. No final, apesar de alguns desafios que me deram dor de cabeça por um dia ou dois, tudo saiu bem.

 

Divulga Escritor - Onde podemos comprar os seus livros?

Leonardo -  Os livros podem ser adquiridos na Livraria Vanguarda e no site oficial da Editora Multifoco.

 

Divulga Escritor - Como você vê o mercado literário brasileiro?

Leonardo -  O mercado literário brasileiro é um lugar difícil, especialmente para autores mais novos. É preciso persistência. A literatura estrangeira toma lugar demais em nosso país. Isso, obviamente, é muito bom. Temos dezenas de culturas entrando aqui. Porém, às vezes é necessário dar um pouco de valor para os autores que temos aqui.

 

Divulga Escritor - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Leonardo de Andrade. Agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos em sua opinião o que cada leitor pode fazer para ajudar a vencermos os desafios encontrados no mercado literário brasileiro?

Leonardo -  Os leitores precisam dar uma chance para todas as sinopses boas que encontrarem. Sempre vamos julgar o livro pela capa, infelizmente. No entanto, às vezes é legal procurar nas estantes das livrarias por coisas mais escondidas e um pouco fora da tendência pop que a mídia nos impõe. Haverá autores locais e desconhecidos com histórias maravilhosas com uma capa que pode não ser tão atrativa. No final, o leitor pode achar o livro da vida dele.

 

 

Divulgação: Divulga Escritor

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