O Começo do Fim... - por Lígia Beltrão

O Começo do Fim... - por Lígia Beltrão

O Começo do Fim...

 

       O mundo está realmente muito moderno. Tão moderno que ninguém dá mais atenção a ninguém e isolam-se nos jogos oferecidos, nos papos virtuais etc. Ponho-me a observar as pessoas e noto-as distantes umas das outras. Cada uma absorta no seu mundo próprio. Nada enxergam a não ser um minúsculo aparelho de telefone, que lhes dá a ousadia de estar em contato com todo o mundo. Se num restaurante ou café, o danado está sobre a mesa, mas isso só por alguns segundos, pois se não toca, logo dá uma “coceira” na mão do seu dono obrigando-o a manipular o objeto em questão.

       As pessoas já não se olham mais e falta assunto para um gostoso bate-papo como, lembro-me ainda, acontecia entre amigos e familiares. Mesmo com a refeição posta à mesa, ainda se mantém o dito cujo nas mãos e os olhos parados sobre a tela minúscula. O poder oriundo daquela pequena máquina faz as pessoas virarem quase robôs. Ninguém se olha mais. Chamam a isso de progresso, ou, modernidade, já nem sei mais o nome que se dá ao pouco caso que se faz uns dos outros, renegando uma boa conversa e gestos de carinho, por uma maquina que seduz tanto.

       Andam apressadas com aqueles fones nos ouvidos e nem ouvem as vozes por perto.

Alguém que quer conversar, sentir-se querido, mas acaba desistindo por sentir-se abandonado. Ouvindo música, dizem, mas isso pode ser feito em conjunto, ou a dois, dependendo da ocasião, mas é mais fácil ignorar aos que estão ao lado do que esquecer aquela maquineta. Eu sempre possuí esse danado, mas viveu todo o tempo dentro da minha bolsa e por muitas vezes, sequer atendi alguma ligação, a não ser que estivesse sozinha, pois acho que o outro ser, junto a mim, sempre seria mais importante que qualquer aparelho.

       É preciso reconhecer a sedução que causa nas pessoas essas coisas que fazem mil e uma peripécias. As vitrines estão cheias delas. De todas as cores. Milhões de acessórios à venda para tornar ainda mais atrativa, a fabulosa esta criação do homem. E cá pra nós, cada vez mais espetacular. Sabemos de tudo o que acontece no mundo, rapidinho, sem precisar perguntar a ninguém, nem assistir TV ou coisas assim. Aliás, eles têm tudo isso. Até as crianças já estão seduzidas e é o primeiro presente que pedem, mal começam a falar.

       As lojas estão abarrotadas de gente a procura dessa satisfação pessoal e única. Mas o que me deixa pasma mesmo, é ver alguém colocar aqueles fones de ouvido e sair como se a pessoa ao lado fosse uma coisa inanimada e estivesse ali, até mesmo a desagradar com a sua presença, e fala qualquer coisa e a outra não escuta, tenta um diálogo ou mostrar algo, mas é automaticamente ignorado. E assim, um silêncio mortal se faz presente. Estou falando e me sentindo uma chata tocando num assunto que magoa a grande maioria, mas que fazer se a realidade é esta e está cada vez mais emudecendo as pessoas? É só um desabafo de uma velha que ainda preza pela presença física e por trocar boas gargalhadas de alegria, num bom papo com os amigos. Parece que só eu penso assim. Sou minoria. Eu é que tenho de mudar...

       Estive pensando e acho que o mais acertado é comprar uma engenhoca dessas para não sentir-me mais tão sozinha, e fazer como todos os outros e sentir-me acompanhada e ouvida, mesmo que seja por uma máquina sem alma, voz, ou coração. O negócio é ser moderno. Dá licença? Estou ocupada procurando os meus interesses no meu amado telefone.

       Ah, como eu estou com os fones nos ouvidos, a qualquer hora nos falamos por aí...

 

 

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