Solidão - por Lígia Beltrão

Solidão - por Lígia Beltrão

Solidão

 

        Quando à noite no silêncio da escuridão, fecho minha última porta, ouvindo o derradeiro suspirar do dia e apago a última luz da minha morada, vejo-me diante de mim mesma. Entro sorrateira e solenemente no intransitável da minha solidão angustiosa e faço-me finalmente, viajor de sonhos. Alí, eu me permito ser inteira. Ser eu mesma. Abro-me aos meus próprios pensamentos e transporto-me para onde quiser ir. Tenho o poder de decidir.

 

        Ali posso fazer todas as viagens encantadas por onde um dia me atrevi a querer ir. A madrugada sussurra baixinho os infinitos desejos de realizar sonhos. Ao menos tentar... Tenho um coração a bater disparado na ânsia do viver. Sou ave com asas que se permite o voo. Quero vencer os horizontes nunca imaginados. Quero fazer-me estrela do meu céu imaginário. Quero mostrar a mim mesma que tudo posso. Sou dona dos meus pensares.

 

        Perco-me no meu universo interior e ali, só eu habito. Incontáveis segredos de quem já muito amou e de quem já foi amada também. Tenho essa certeza. Nos labirintos da vida me perdi tantas vezes, achando que era incapaz. Triste ilusão dos que são ensinados a perder. Dentro de mim, reescrevo histórias, enfeito jardins, conto estrelas como só os loucos talvez possam fazer. Desafio a mim mesma e assim me dou esse direito. O de aproveitar a solidão. Sou memórias!

 

        Quando o dia nasce e os pássaros cantam me chamando alegres, fecho a porta do meu eu angustioso e abro a da vida. Embaixo do travesseiro amarrotado, guardo as desilusões e os senões do tempo. Não é hora de pensar, mas fazer. Assim, faço o meu dia e me refaço como o amanhecer que desabrocha no infinito. Afinal, um dia alguém me disse que eu sou o sol. Como por encanto me vejo brilhar!

 

Lígia Beltrão

 

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