Um Homem... Simplesmente... - por Lígia Beltrão

Um Homem... Simplesmente... - por Lígia Beltrão

Um Homem... Simplesmente...

 

       Era um homem único. Emocionante. Um homem que tinha nas mãos a história dos seus e por que não, a sua própria história. Tinha os olhos carregados de ternura e um sorriso de um menino que parecia pronto para a próxima travessura. Assim ela o viu. Ainda o vê. Ela o enxerga, através da sua alma. Do seu coração. Carrega nas mãos o seu mundo, mas não acha ruim, se preciso for ter que dividi-lo com alguém. Criatura rara. Viver com ele é viver em sonho permanente. É presente dos céus. É viver no paraíso saboreando o divino. É contarem juntos, as estrelas do céu, porque eles fazem seu próprio céu. Concordo completamente com o que li há alguns dias e transfiro para este meu personagem de sonhos, todas essas palavras. Não conheço Roberto Codax nem sua obra, mas confesso que suas palavras casam exatamente com o que eu penso, e é assim que vejo este homem, do qual falo.

 

     “A grandeza de um homem não é medida por suas posses, mas por seus laços afetivos. Bem como não é de todo correto julgá-lo sábio ou tolo apenas por sua capacidade de manter conhecimentos, sim por seu potencial criativo. A grandeza assim como a pequenez de cada um encontra-se na sua simplicidade, naquela ingênua maneira de conquistar afetos e mantê-los simplesmente através de um sorriso livre de maldades, esta é a verdadeira fortuna e o maior ato de sabedoria que um homem possui.”

 

       Esse homem que canta para a sua amada, com a voz adocicada do mel de um sentimento nobre e único, como se dissesse uma oração. E que tão bem a carrega pela mão nas estradas por onde anda, ajudando-a a transpor os obstáculos que surgem pela vida. Leva-a para caminhar entre as flores de uma primavera que não tardará a chegar. Faz dela o seu ar, para suportar os nãos que a vida e o tempo lhes gritam. Gosta de música, de dançar rodopiando leve os passos que lhe dão prazer. Cozinha os pratos maravilhosos e tradicionais do seu lugar. Cuida de tudo e ainda sobra tempo para ser o homem que a enternece. O seu homem. E assim respira paixão. E faz-se amar. Ela confia nele, porque aprendeu a conhecer o seu coração. E como entende o seu compasso, quando deita a cabeça, tonta de prazer, sobre o seu peito protegida por seus braços fortes e seguros!

 

       Carrego uma saudade embutida no peito, que o faz bater choroso querendo deixar escapar o mar que me sufoca. Há um tempo encravado na minha alma, de súbitas ternuras trocadas e palavras profetizando o amanhã. Há ao nosso redor a vida carregada de vivências. Nos nossos peitos, um mundo palpitante, e é esse mundo que quero sacolejar e ver e ouvir o homem que se mostra diante de mim, num misto de altivez e bondade. O poema de Daniel Lima dá-me o impulso para seguir o sonho: “Embriaga-te de ti mesmo, / sê Narciso / É Janeiro / E procura esquecer-te / Que o tempo passa / corre a vida / e envelheces. / Vive em Janeiro a novidade da vida. / Vive em Janeiro os meses todos do ano. / Vive em Janeiro o agora / de tudo o que será ainda / (ou talvez nunca o seja / e por isso mesmo, vive-o / antecipadamente agora).”

 

       Haveremos de viver, juntos, muitos Janeiros.

 

Lígia Beltrão

 

 

       

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