Fathu - por Antonio Eustáquio Marciano

Fathu - por Antonio Eustáquio Marciano
Fathu
 
Eu não sabia exatamente qual fora a última vez que eu a houvera visto. Sei que me fez bem encontrá-la. Abriu os braços ao me ver e envolveu me com um afetuoso abraço. Estávamos na biblioteca pública. Como eu, ela também gostava de passar por ali, de vez em quando, para pegar algum livro emprestado ou somente para “namorar” os títulos, como ela mesma dizia. Um espaçoso salão abrigando grande quantidade de prateleiras cheias de livros devidamente identificados e outro salão com mesas e cadeiras, repleto de jovens a fazerem ali suas pesquisas escolares, além de outras dependências necessárias. Assim era biblioteca, orgulho da cidade. Uma placa pendurada na parede alertava para a necessidade do silêncio no recinto. Por isto, ela me puxou para fora do prédio, onde havia uma pracinha. Queria saber da família, dos amigos, do trabalho etc. Ela era assim. Demonstrava muito interesse pelo bem-estar dos seus amigos. Estava sempre disposta a ajudar, se alguém precisasse. O papo com Fathu era sempre delicioso, mas nosso tempo era pouco e nos despedimos. Enquanto retomava o meu caminho, fui pensando nela. Qual seria o significado do seu nome? Ela diz não saber. Pesquisei e nada encontrei que me ajudasse. Sei que na França tem gente com este nome.  E é só. Seja o que for, deve ensejar muita fortaleza.  Eu e Fathu tínhamos uma bela amizade havia muito tempo. De pele negra, minha amiga bonitona estava sempre de bom humor, esbanjava simpatia por onde passava. Como ela consegue ser assim? eu pensava. Conheço bem sua história. De família muito pobre, casara e tivera dois filhos. O difícil temperamento do marido fez com que o casamento acabasse. Seguiu a vida com os filhos. Foi balconista, diarista, manicure. Pedra noventa, Fathu, depois dos quarenta anos, conseguiu entrar para o serviço público e cursar faculdade. Tinha uma vida digna. Fui me lembrando das teorias que minha amiga resumia em frases. Uma delas era a que dizia quando questionada por que não buscava outra companhia, pois era ainda jovem: “casamento é uma só vez na vida”. Contudo, me confessou que tem um namorado que mora no Panamá. Só aí entendi por que ela andava viajando muito amiúde para o exterior. Eu disse: mas é muito longe e ela respondeu: “é longe, mas está perto”. Acho que ela quis dizer que, quando se ama, o coração está sempre perto da outra pessoa e aquecido por ela, independente da distância que separa. Quem sou eu para discutir com Fathu?

Fathu

 

Eu não sabia exatamente qual fora a última vez que eu a houvera visto. Sei que me fez bem encontrá-la. Abriu os braços ao me ver e envolveu me com um afetuoso abraço. Estávamos na biblioteca pública. Como eu, ela também gostava de passar por ali, de vez em quando, para pegar algum livro emprestado ou somente para “namorar” os títulos, como ela mesma dizia. Um espaçoso salão abrigando grande quantidade de prateleiras cheias de livros devidamente identificados e outro salão com mesas e cadeiras, repleto de jovens a fazerem ali suas pesquisas escolares, além de outras dependências necessárias. Assim era biblioteca, orgulho da cidade. Uma placa pendurada na parede alertava para a necessidade do silêncio no recinto. Por isto, ela me puxou para fora do prédio, onde havia uma pracinha. Queria saber da família, dos amigos, do trabalho etc. Ela era assim. Demonstrava muito interesse pelo bem-estar dos seus amigos. Estava sempre disposta a ajudar, se alguém precisasse. O papo com Fathu era sempre delicioso, mas nosso tempo era pouco e nos despedimos. Enquanto retomava o meu caminho, fui pensando nela. Qual seria o significado do seu nome? Ela diz não saber. Pesquisei e nada encontrei que me ajudasse. Sei que na França tem gente com este nome.  E é só. Seja o que for, deve ensejar muita fortaleza.  Eu e Fathu tínhamos uma bela amizade havia muito tempo. De pele negra, minha amiga bonitona estava sempre de bom humor, esbanjava simpatia por onde passava. Como ela consegue ser assim? eu pensava. Conheço bem sua história. De família muito pobre, casara e tivera dois filhos. O difícil temperamento do marido fez com que o casamento acabasse. Seguiu a vida com os filhos. Foi balconista, diarista, manicure. Pedra noventa, Fathu, depois dos quarenta anos, conseguiu entrar para o serviço público e cursar faculdade. Tinha uma vida digna. Fui me lembrando das teorias que minha amiga resumia em frases. Uma delas era a que dizia quando questionada por que não buscava outra companhia, pois era ainda jovem: “casamento é uma só vez na vida”. Contudo, me confessou que tem um namorado que mora no Panamá. Só aí entendi por que ela andava viajando muito amiúde para o exterior. Eu disse: mas é muito longe e ela respondeu: “é longe, mas está perto”. Acho que ela quis dizer que, quando se ama, o coração está sempre perto da outra pessoa e aquecido por ela, independente da distância que separa. Quem sou eu para discutir com Fathu?

 

 

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