Fazenda mal-assombrada - por Marta Maria Niemeyer

Fazenda mal-assombrada - por Marta Maria Niemeyer

Fazenda mal-assombrada

 

Queria uma história,

história de arrepiar.

Na escuridão noturna

o vento a assobiar...

Um estalo na janela,

pisca-pisca no escuro,

um silêncio noturno de

assustar almas do

outro mundo.

Acordei apavorada,

uma assombração sentada

na poltrona da sala.

Tão grande era sua mão

que tocava violão.

Uma música de Villa-Lobos

me deixou assim tão bobo...

Fui pé ante pé confirmar,

pegaram-me pelas costas.

Tão forte o agarrão, que desabei

logo no chão.

Quebrei quatro costelas,

e dois dentes em uma gamela.

Até hoje vivo com sequela.

Eu morava na fazenda,

doze quartos de aposento.

Tinha energia fraca;

a usina, um moinho

que vivia parado.

Da sala até a cozinha

uma viagem de translado.

A casinha, logo ali,

tinha um vaso boquiaberto

querendo me engolir.

As dependências

do porão exalavam mofo,

em torno do quintal o cheiro de gado.

A escadaria da varanda

tinha ares de pecado.

Mais um quarto ao seu lado,

ele vivia trancado.

A fazenda era da Mata, nada

a ver com meu nome.

Tinha o cuidador de bois,

meu compadre Arlindo.

Ordenhava o primeiro esguicho...

Sentada ao pé da escada,

esperava o leite fresquinho,

espumando, o desenho: aquele bigodinho!

 

 

Marta Maria Niemeyer

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