O Brasil de cabeça para baixo - por João Bezerra da Silva Neto

O Brasil de cabeça para baixo - por João Bezerra da Silva Neto

O Brasil de Cabeça Para Baixo

João Bezerra da Silva Neto – Contador/Escritor

 

Olhando pelos meus olhos leigos, como os da maioria dos brasileiros, percebo o entra e sai de Presidentes e o Brasil continua uma incógnita. Já não sabemos como nos guiar nesse abarco sem rumos.  Não sabemos divisar onde está o erro, se no regime político adotado, se na forma de governo ou na própria formação do cidadão brasileiro. Uns falam de nossa origem colonialista, pelos vícios adquiridos de um povo ganancioso, ambicioso, “esperto”, interesseiro, desonesto, mal educado como foi a escória portuguesa que nos colonizou. Outros acusam o despreparo dos políticos pela falta de patriotismo e de amor pela causa; fizeram com que os valores morais despencassem na ribanceira da ambição sem limites. Ao povo brasileiro, parodiando o notável e saudoso Escritor João Ubaldo Ribeiro, em texto, intitulado: “Precisa-se de matéria-prima para construir um país” digo: Precisa-se de matéria-prima para construir um Presidente.

Examinando a fundo os candidatos oferecidos ao próximo pleito chego à conclusão de que trazem na bagagem os profundos traços da escória a que me refiro. E muitos se orgulham de terem vindos do povo, como se isso fosse enaltecê-los. Onde encontrar a matéria-prima para construir um Presidente? Qual a origem desse candidato? De onde veio? Que formação teve diferente da essência do atual povo brasileiro? Em qual escola estudou política? Se Pelo menos estudou? Que educação teve na sua infância? Eis que não falo de educação escolar, somente, mas de berço familiar: honestidade, respeito, moralidade, exemplos patrióticos, formação de bom caráter, boa índole. Ao abraçar a carreira política desde a militância, hoje ativismo político, que espécie de ativista esse candidato foi? Será do tipo daqueles baderneiros que conheci nas escolas, nos movimentos estudantis, Sendo esses, os piores alunos em aproveitamento escolar; a maioria deles sequer concluía seus cursos? Esses ditos ativistas passavam todo o tempo possível nas Faculdades, trancando matérias, até a jubilação, com o fim de angariar popularidade entre os estudantes de diversos cursos, para depois candidatar-se a Vereador, iniciando, desta forma, a vida política.

É esse o jeito “light” de se fazer política, neste País, quando não se origina de forma “chula”, no berço sindicalista, fomentando greves, arruaças, e destruição do Patrimônio Público. Será que os candidatos que aí estão não vieram dessas duas fontes? E se um ou outro candidato não teve berço político semelhante, mormente os da ala da direita, os “coxinhas”, como dizem, vieram de onde? Naturalmente, do prestígio econômico o qual ostenta o que dá no mesmo. Será que não enriqueceram ou herdaram bens desonestamente? Onde está a moral, a ética de que necessita para abraçar tamanho cargo? Onde está a formação política?

Sinto, por isso, uma grande tristeza pelo que nos oferecem como candidatos às eleições para futuro Presidente do Brasil.

Na minha modesta opinião, falta matéria-prima para construir um bom Presidente porque os anseios de democracia se esvaíram.

Os que se diziam construtores do berço de uma Democracia Plena se foram, deixando um hiato, uma vala, onde os sobreviventes não tiveram capacidade de transpor.

Cadê os líderes políticos deste País?

Cadê as vozes das “Diretas Já”?

Cadê os precursores do Estado de Direito?

Onde estão os Constituintes atuantes da época?

Os que foram as vozes de uma Constituição que democratizaria o País: José Sarney, Jarbas Vasconcelos, Roberto Freire, Bernardo Cabral, Fernando Henrique entre tantos outros sobreviventes da época preferem, hoje, assistir, de camarote, a degradação do País.

Nenhuma voz se levanta capaz de nortear este estado de coisas?

Os líderes emudeceram diante da suspeita de corrupção que atinge a todos.

O Brasil parou, a Democracia morre à míngua.

Que sapiência política preservou dos grandes parlamentares da época: Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Mário Covas, Nélson Carneiro, entre outros? E os que ainda sobrevivem onde estão escondidos?

Entre dezenas de interrogações fico atônito em ver esfacelada toda a construção de uma tão sonhada Democracia Plena.

Do termo Patriotismo só existe a grafia nos dicionários de nossa língua.

Falta Patriotismo nos lares, nas escolas, na sociedade, na vida pública, no próprio futebol e, principalmente, na política. No que se refere a patriotismo político hoje, o que era moral é imoral e vice-versa.

No Congresso pilhas e mais pilhas de processos urgentes, urgentíssimos para serem votados são deixadas para trás porque não surtem interesse imediatista.

O interesse individual está acima de tudo, enquanto o bem coletivo é suprimido pela manobra engenhosa dos Deputados. Até pareço um ativista político ao tecer essas ingênuas considerações a respeito do Brasil atual. Mas sou bem diferente dos atuais ativistas políticos existentes hoje de montões. Eles não olham para o passado porque não os têm. Só enxergam o momento atual onde vivem mergulhados numa política de ódio. “Se não é do meu partido é meu inimigo político”, dizem. Desconhecem o lado amistoso da disputa política, que, aliás, deve prevalecer em todos os embates da vida.

Não há mais lugar para o rancor, a desforra, a intriga. O tempo do “duelo” passou.

Democracia, para muitos, é sinônimo de liberdade incondicional.

A declaração dos Direitos Humanos, desde 1948, nunca foi tão ovacionada quanto hoje, no Brasil. Já que se trada de direitos a exigir, esqueceram-se dos deveres a cumprir.

Observam mais os Direitos Humanos que a própria Constituição do País. Claro! Só contém direitos!

Assim, diante de dezenas de interrogações, gostaria que me respondessem apenas uma:

Em quem votarei, para Presidente, nas próximas eleições? Respondam-me, uma vez que o voto não é mais secreto!

Lembro-me, quando criança, em dia de eleição, meu pai vestia a caráter o velho e surrado paletó de linho branco, gravata, chapéu de massa à lorde inglês; ia votar. O voto era sagrado além de secreto. Não o revelava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Sua consciência política era de fazer inveja a todos os brasileiros de hoje.

E-mail: João.digicon@gmail.com

 

 

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