Vanessa Maranha - Entrevistada

Vanessa Maranha - Entrevistada

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

Vanessa Maranha é autora com prêmios, finalismos e participações na bagagem. Participou de várias antologias de contos, entre elas +30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (Record, 2007), organizada por Luiz Ruffato. Em 2001, foi finalista ao Prêmio Guimarães Rosa da Radio France Internationale; em 2004, venceu seleção de contos da Universidade Federal de São João Del-Rei (MG). Foi selecionada para as oficinas literárias da FLIP em 2010 (Jornalismo Literário), 2012 (Crítica Literária) e 2016 (Shakespeare; promovida pelo British Council). Em 2012, venceu o Prêmio Off Flip, no ano seguinte, o Prêmio UFES de Literatura (Universidade Federal do Espírito Santo) com o livro de contos Quando não somos mais (EDUFES, 2014) e também o Prêmio Barueri de Literatura 2013/2014 com Oitocentos e sete dias (Multifoco, 2012). Foi finalista ao Prêmio São Paulo de Literatura 2015 com o seu romance de estreia Contagem regressiva (Selo Off Flip, 2014). Em 2016, lançou o livro de contos Pássara, pela Editora Patuá. Começa em Mar é o segundo romance da autora e recebeu Menção Honrosa do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura 2016.

“Um livro sobre amores, sob uma ótica que mistura expressionismo a realismo fantástico, gradualmente deformando os personagens, transmudando-os conforme as suas experiências.’

Boa Leitura!

 

Escritora Vanessa Maranha, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos o que a inspirou a escrever o romance “Começa em Mar”? Quais critérios foram utilizados para a escolha do título?

Vanessa Maranha - A ideia de mar como início e fim de muitas coisas deste mundo. O livro começa em mar e termina em mar. Mar como caminho também, via de comunicação com outros mundos. Neste livro, o mar tem delineação de personagem autônoma. Quis tocar em temas pulsantes atuais, como a condição da mulher no mundo contemporâneo, a transgeracionalidade, a depressão, a sombra do colonialismo no nosso país ainda como mentalidade.

 

Apresente-nos os principais personagens que fazem parte da trama (informar nome e profissão, de forma resumida como estão interligados).

Vanessa Maranha - Alice Zulmira é a protagonista, filha de pai português e mãe espanhola, fugidos da Europa. No Brasil, nunca se “abrasileiraram”, sonhando retornar a uma Europa idealizada. Isso se amalgama na personalidade dela e define a sua trajetória. Constroi um hotel “para ter contato com o mundo que não conhece”.

Hortênsia, funcionária do hotel, tem relação ambígua com a patroa que, enfim, se revela fraterna.

Jordana, funcionária do hotel também, órfã de fazendeiros, aos poucos enlouquece.

 

O que mais a encanta na Ilha de “Róvia”, onde se desenvolve a trama?

Vanessa Maranha - O mar voluntarioso que a rege, como uma espécie de divindade que dá e tira.

 

Quais os principais desafios para a construção do enredo de “Começa em Mar”?

Vanessa Maranha - Entrelaçar as vozes das personagens em suas peculiaridades, sem que repetissem, encontrando o seu ponto de entrelaçamento. Trabalhar o realismo mágico de modo a metaforizar os persursos de vida narrados com coerência.

 

Que temas você aborda nesta obra?

Vanessa Maranha - Os amores nem sempre bons, as idealizações, o desterro do migrante (sentir-se estrangeiro onde quer que se esteja), a falácia da autossuficiência (precisamos do outro, sim, para nos constituirmos; a tomada de posse do próprio desejo em busca de autenticidade. Ser o que se pode ser).

 

Apresente-nos cinco motivos para ler “Começa em mar”.

Vanessa Maranha - Há uma lapidação de linguagem interessante entre a origem lusa e a nossa língua da atualidade. Temas brasileiríssimos e ao mesmo tempo universais. O tom fabulatório no realismo mágico com algum humor. A sinestesia, ou seja, as cores, as imagens que o livro produz e, por fim, o seu traço poético, mesmo quando tocando em questões duras.

 

Com relação ao lançamento, já temos o dia, local, horário...?

Vanessa Maranha - Será no dia 22/07/17, às 18h, no Espaço Cultural do Shopping do Calçado de Franca.

 

Quem não puder comparecer ao lançamento, como deve fazer para adquirir o livro?

Vanessa Maranha - Pode adquiri-lo no site da Editora Penalux ou comigo mesma, pelo e-mail:

vanessa.maranha@hotmail.com.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor “Começa em Mar”, da autora Venessa Maranha. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Vanessa Maranha - É a trajetória épica de uma mulher, filha de português e espanhola, que aporta numa fictícia ilha baiana, local que já explorei no meu livro de contos “Pássara” (Editora Patuá). Um livro que fala sobre as questões do nosso tempo, cravando unhas ficcionais no momento político, apontando o desterro do migrante, uma Europa idealizada por quem há muito a deixou para trás. Um livro sobre amores, sob uma ótica que mistura expressionismo a realismo fantástico, gradualmente deformando os personagens, transmudando-os conforme as suas experiências. A solução final para idas e vindas, mulheres tentaculares, filhos que não vêm, é uma surpresa a enfeixar e oferecer um sentido todo humano ao percurso. Busca um lirismo épico, um leve desfoque que não permite enquadre. Um texto que toca na misoginia, no matriarcado, no discurso patriarcal, nas vidas que se desfazem. A loucura caudalosa, onipresente em todos os meus livros comparece aí também. Quis falar de um mar mítico e potente como um deus votivo, que no livro ganha contorno de personagem; de espanhas e portugais ideais, seu poder colonizador. Queria uma sintaxe mais próxima da origem lusa, então mergulhei na pesquisa de linguagem.

 

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