José Guerra - Entrevistado

José Guerra - Entrevistado

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

 

José Manuel Boinho Guerra, nasceu em Lisboa, a 29 de Junho de 1969.

É Psicólogo, Pai, Poeta e Escritor. Reside em Sintra – Lisboa.

A escrita literária já surgiu tarde, foi como que um despertar. A poesia liberta-o, a literatura romanesca define-o, a escuta das suas palavras transcende-o . Define-se como “Parte de um poema que não se quis dizer”. E tudo o que não diz, é lido pelos silêncios que, por entre as palavras, se vão sussurrando.

Desde 2010, conta já com seis obras publicadas. Três livros de poesia e três romances. A obra mais recente, o romance “Aguarela sem nome”, foi lançado e publicado em Dezembro de 2013, pelas Edições Vieira da Silva e encontra-se em distribuição pelas principais livrarias do país.

Participou ainda em várias antologias de poesia, como o “Poetar Contemporâneo”, Vol. II das Edições Vieira da Silva, ou nas “Palavras de Cristal” da Editora Modocromia, só para citar alguns exemplos.

“Escrever é comunicar, e a escrita acaba por ser a minha forma de comunicação com o “outro”. Sobretudo através da poesia, dou-me a conhecer. A minha introversão, não me permite demonstrar no dia a dia aquilo que me vai na alma.”

 

Boa Leitura!

 

SMC - Escritor José Guerra é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que o motivou a ter gosto pela escrita?

José Guerra - Olá, Shirley. É também um prazer poder colaborar no projecto Divulga Escritor. Quero felicitá-los desde já pela vossa iniciativa e agradecer a oportunidade que me foi concedida para esta entrevista.

Respondendo à sua questão, a escrita de uma forma mais literária, nomeadamente a poesia, já surgiu tarde em torno dos quarenta anos. Sempre tive facilidade e gosto em escrever, embora o que escrevesse, fosse sempre de teor técnico. Penso que já era inato. Todavia, a alma de poeta e escritor sempre esteve adormecida aqui dentro e, foi essa fonte que foi sendo descoberta por mim mesmo de forma intuitiva, e daí essa grande paixão pela escrita. É algo que me liberta e me transcende.

Nunca mais me esqueço, das palavras do meu orientador de estágio profissional na empresa, Rui Dias, em 1998, quando eu estava a terminar o curso na faculdade. Um dia, disse-me num âmbito de um relatório que havia redigido e que ele avaliou, que o mesmo estava escrito de uma forma poética, ainda que o conteúdo fosse puramente técnico. Por isso, a “veia poética” já ali estava implícita.

 

SMC - Em que momento pensou “vou publicar um livro”? Demorou muito até à publicação?

José Guerra - O primeiro livro, em prosa poética, “Pensamentos”, foi o reflexo de um conjunto de emoções e sentimentos caóticos, que precisava de pôr no papel. Essa urgência na catarse, “obrigou-me” a libertar essa torrente de pensamentos e passar da teoria à prática por assim dizer. Tal como a crisálida se transforma numa borboleta, o livro “Pensamentos”, foi por assim o início de tudo e a oportunidade de crescer interiormente.

 

SMC - Que temas você aborda em seus livros de poesia?

José Guerra - No fundo, os temas que abordo de, uma forma geral, nas minhas obras, acabam por ser comuns a outros autores. Estamos a falar de temas como: O amor, a compaixão, a saudade, a tristeza, a nostalgia, a amizade, etc, quer seja no género romance ou poesia, acabam por ser transversais a todas elas.

 

SMC - Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus textos poéticos?

José Guerra - Escrever é comunicar, e a escrita acaba por ser a minha forma de comunicação com o “outro”. Sobretudo através da poesia, dou-me a conhecer. A minha introversão, não me permite demonstrar no dia a dia aquilo que me vai na alma. A escrita sintoniza-me de um modo universal. O mais curioso, é que a poesia que eu escrevo tem voz. Essa voz é de quem me lê. Acabo por descrever sentimentos e estados de espirito que sendo meus, também são de outras pessoas, cujos livros as lêem. Nos romances que escrevo em prosa poética, tento fazer as pessoas acreditar que é possível vivenciar o amor de diversas formas, deixando sempre mensagens implícitas para que elas possam reflectir. Escrevo, não apenas para inquietar as pessoas, como diria Saramago, mas sobretudo para que elas descubram o que melhor há nelas, esse amor incontido, que se liberta sempre que as escuto pelo sorriso íntimo entre o olhar e a palavra.

 

SMC - Com relação aos romances como foi a escolha do Titulo para:

 

A Paixão que veio do Frio - Uma história inédita. Uma viagem ao amor incondicional. É no Portugal do Sec. XVIII, um pedaço da Europa à beira mar plantado, nos confins da Ibéria que se desenrola a nossa história, tendo por protagonista o amor, esse sentimento que atira para fora do compasso o mais forte dos corações. Sintra, local de eleição para este enredo amoroso, é por si própria um ícone no que concerne ao amor e ao romantismo do qual não se pode dissociar, quer pela sua história e cultura, quer pela envolvente abrupta e selvagem que exorta a clivagem que o romantismo quis trazer através da intensidade dos sentimentos e dos amores trágicos, pautadas pela dramaticidade humana e pela introspecção que lhe era tão característica, numa época singular e memorável. O Inverno do ano de 1794, ia ser diferente.

 

Amor Proibido - Uma história de amor invulgar e penitência, que arrastou uma vida cuja inocência e ilusão acompanhou até final dos seus dias alguém que acreditava verdadeiramente no amor, e que este seria eterno, fiel e mágico e que as juras de amor seriam promessas. É neste cenário que vamos encontrar uma mulher que experimentou a dualidade destes sentimentos. A paixão avassaladora deu espaço a um amor incomum. Desse amor efémero esperanças vãs vieram fazer crer, que a dor do abandono jamais iria fechar uma ferida, cujo coração ainda que se tenha resignado ao desapego, jamais cicatrizou. A história de Mariana Alcoforado, que remonta ao Séc.XVII, vista de uma perspectiva diferente.

 

Aguarela sem nome - Por vezes o sonho confunde-se com a realidade. Uma imagem vale mais que mil palavras e dessa imagem pode resultar uma paixão, um novo sentido de vida, ou algo que nos tire o chão por instantes. E de uma viagem que se trata este romance, uma viagem ao amor que começa numa tela de uma aguarela. Alguém que, nos tempos actuais, vive uma aventura amorosa sem precedentes. Alguém que tentou conhecer a mulher misteriosa que habitava naquela aguarela que não tinha nome e que lhe quis dar um nome, um nome pelo qual o sonho se quis viver e amar; alguém que esperava na tela ser encontrada e voltar a sorrir nas cores de uma aguarela, que nunca quis ter nome. Um romance com um final surpreendente.

 

SMC - Onde podemos comprar os seus livros?

José Guerra - As obras de poesia e prosa poética, “Pensamentos”; “Pura Inspiração” e “Palavras por Dizer”, assim como os romances, “A Paixão que Veio do Frio”; e “Amor Proibido”, são edições de autor publicadas pelo Sítio do Livro. Podem ser adquiridas através do próprio site do Sítio do Livro e na Livraria “Leya na Barata”. Os dois primeiros romances, podem ainda ser encontrados na Livraria “Ao Pé das Letras” na Ericeira e no Campera Outlet. A minha obra mais recente, o romance “Aguarela sem nome”, publicado pelas Edições Vieira da Silva, pode ser adquirido na própria editora e nas principais livrarias do País. Nesta altura ainda se encontra em distribuição.

 

Qualquer destas obras, ainda que limitadas ao stock existente, pode ainda ser encomendada directamente ao autor através do email: jmbguerra@gmail.com

 

SMC - Quais os seus principais objetivos como escritor? Pensas em publicar um novo livro?

José Guerra - Como escritor quero continuar a escrever nas áreas do romance e da poesia. Talvez me identifique mais com a poesia, sobretudo a prosa poética. Escrevo poesia quase diariamente e partilho-a com quem me lê, simplesmente pelo prazer de partilhar. O retorno financeiro é para mim secundário. Só o tempo, dirá se serei mais romancista ou poeta. O meu melhor retorno é o sorriso das pessoas quando falam do meu trabalho, ou então quando me dizem que as minhas palavras, de alguma forma, as ajudam a superar o dia a dia. Sempre que toco o coração das pessoas e as ajudo dessa forma, isso significa que a minha missão está no caminho certo. O meu próximo trabalho literário, será por certo uma obra de poesia em prosa.

 

SMC - Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário em Portugal?

José Guerra - O mercado luso é pequeno para a quantidade de escritores que temos no nosso país. Hoje em dia, é muito mais fácil publicar um livro. Mas também temos muito mais escritores. Existe boa e má literatura. Existem bons e maus profissionais no sector editorial. Existe por outro lado, um grande monopólio do mercado livreiro, como existe noutras áreas. Só as grandes editoras possuem uma estrutura de marketing que lhes permite uma distribuição eficaz e uma maior visibilidade do seu produto. Apostam naquilo que é seguro e por conseguinte publicam apenas aquilo que gera sucesso imediato e que já tem nome. Para as edições de autor e para as pequenas editoras, tudo isto representa barreiras enormes que só podem ser vencidas com muito trabalho, com sinergias entre os escritores, entre escritores e editores e pela aposta nas novas tecnologias de comunicação para o canal livreiro, como as redes sociais, por exemplo. Passa sobretudo por questões culturais de promoção e incentivo à leitura. Precisamos de uma cultura de proximidade. Precisamos de ler mais e ler coisas diferentes. Existem por aí muitos talentos ocultos e outros que precisam de ser recordados.

 

SMC - No âmbito da literatura, quais os autores que são para si uma referência?

José Guerra - Olhe, existem alguns poetas estrangeiros como Charles Baudelaire, Lord Byron, Balzac ou Isidore Ducasse que aprecio particularmente. Fernando Pessoa, Ruy Belo, Alexandre o´neill, Alberto Pidwell, Eugénio de Andrade, Almeida Garrett, Florbela Espanca, entre outros, acabam por ser dos poetas e poetisas portuguesas que mais aprecio. Ferreira Gullar e Carlos Drummond de Andrade, são para mim dois poetas brasileiros que gosto bastante.

Na área do romance, aprendi a gostar há pouco tempo de António Lobo Antunes, pela escrita complexa que parece ter. Essa complexidade parece não ser percebida enquanto não tivermos preparação para ela. Aprecio Miguel Sousa Tavares, José Saramago, Mia Couto e José Luís Peixoto, embora não tenha lido todas as obras destes autores. Gosto particularmente de um autor francês, Jean Teulé, pela escrita burlesca num dos romances que já li. Gosto também de muitos outros autores, embora os que citei, sejam aqueles que mais aprecio.

 

SMC - Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor José Guerra, que mensagem você deixa para nossos leitores?

José Guerra - Ler é um exercício que devíamos cultivar. Um livro é um amigo para a vida, uma excelente prenda, algo que nos faz crescer. Por isso a minha sugestão é que leiam. Apostem não só em autores consagrados, como também naqueles menos conhecidos ou mesmo desconhecidos. Nestes, por vezes, encontramos boa literatura. Encontramos nos livros, sobretudo, histórias de vida que gostaríamos de viver ou contar. Leiam particularmente livros de poesia. A poesia é algo que nos engrandece e transcende. A poesia é o nosso ADN. Como diria o grande poeta Ferreira Gullar, que citei atrás, “A poesia existe, porque a vida não basta”.

 

Obrigado e até a uma próxima!

 

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