Religião Persa - por Maurício Duarte

Religião Persa - por Maurício Duarte

Religião persa

A respeito da antiguidade da religião dos persas, nós não podemos falar com certeza. Os livros sagrados chamados Zend Avesta, são os carros-chefe da informação, mas são apenas um fragmento das escrituras originais – parte das 21 divisões nas quais elas estão divididas. O Zend Avesta foi escrito ou coletado por Zoroastro, o grande profeta da Pérsia, cinco ou seis séculos antes da era cristã. No entanto, é geralmente admitido que porções das escrituras do Zend Avesta sejam muito mais antigas do que o tempo de Zoroastro. Os Parsees, tanto por sua língua quanto por sua mitologia, são relacionados pelos indianos como membros da grande família ariana e como eles habitaram o nascedouro da raça humana, é possível que a religião da Pérsia seja a mais antiga do mundo. Quando nós a comparamos com o Brahmanismo, achamos que cada uma possui suficiente distinção individual em si mesma. O mitólogo ingênuo encontrará muitos pontos de contato, mas, em geral, o estudioso será mais restrito para ver suas diferenças.

Brahmanismo é mais metafísico; a religião persa é mais ética. O espírito de um é a contemplação e do outro, atividade. O indiano é passivo e especulativo; o persa não tem tendência especulativa, mas é mais concentrado em se opor às forças do mal que estão no mundo e dominar o que ele sente ser a vocação do homem. Ao nível de que a religião persa é eticamente forte, podemos removê-la do que chamamos de panteísmo; mas o lado especulativo clama a nossa atenção, bem como pela sua existência mesmo, assim como pela sua subsequente história e sua conexão com outros sistemas de religião e filosofia.

Muito foi escrito, não só na França e na Alemanha, mas na Inglaterra, sobre o infinito e impessoal deus da religião persa antiga. Seu nome é Zeruane Akerne, sem bordas do tempo ou começo do tempo. A ideia da sua existência é simultânea na mente com as ideias de tempo infinito e espaço infinito. Ele é o ser que tem que constituir a eternidade e o infinito. É que a religião persa tem essa ideia de um ser inexprimível, que está acima de todos os deuses como Brahma está acima do Trimurti, isso sendo considerado como determinado. Mas parece que o nome pelo qual esse ser é conhecido pelos mitólogos europeus é uma mera tradução mal formulada de uma sentença do Zend Avesta. Zeruane Akerne não é um nome, como estudiosos recentes da Pérsia mostraram, simplesmente significa tempo infinito. A passagem é: “Spento-Mainyus (Ormuzd) criou ele criou o tempo infinito (Zeruane Akerne).” O ser infinito dos persas é sem-nome, mas algumas vezes é chamado pelos nomes de todos os deuses. Ele tornou-se pessoal. Ele é Ormuzd, deus da luz; Mitra, o reconciliador entre a luz e as trevas; Honover, a palavra da qual vem a sabedoria eterna e cujo discurso é a criação eterna. Hesychins chama Mitra, o primeiro deus entre os persas. Na sua conferência com Themistocles, Artabanus descreve Mitra como o deus que cobre todas as coisas. Porphyry, citando um pensamento de Eubulus a respeito da origem da religião persa, fala de uma caverna que Zoroastro consagrara em honra a Mitra, o feitor e o pai de todas as coisas. A caverna é adornada com flores e climatizada com fontes e é entendida como uma imagem ou um símbolo do mundo como foi criado por Mitra. O mesmo Porphyry recorda que Pitágoras exorta os homens ao, principalmente, amor à verdade, o qual, sozinho, poderia levá-los a Deus. Ele aprendera, coloca, dos magos, que deus, que ele chamava Ormuzd, como seu corpo exalava luz e seu espírito, a verdade. Eusebius, citando um antigo livro persa com as palavras de Zoroastro de que “deus é o primeiro ser incorruptível e eterno, não-formado e indivisível, juntos, diferente de todos os seus trabalhos, é o princípio e o autor de tudo o que é bom. Presentes não podem movê-lo, ele é o melhor dos bons e o mais expert dos experts. Dele provém a lei e a justiça.” Os oráculos caldeus, dirigindo-se a Zoroastro, chamam deus de “aquele do qual todos os seres brotam.” Nessa passagem, Psellus, o escolástico, diz, “Todas as coisas, sejam pertencentes a mente ou aos sentidos, derivam sua existência de deus sozinho e retornam a ele, bem como esse oráculo não pode ser condenado, pois está cheio da sua doutrina.”

Essa unidade original e impessoal criou Ormuzd que, então, tornou-se o chefe dos deuses. Ele é a pessoalidade da divindade viva, o primeiro de todos os seres, a imagem resplandescente da infinitude, o ser em cuja existência é imaginada como cheia de tempo eterno e espaço infinito.

É comumente dito que os persas cultuavam dois deuses. Esse é o legado dado tanto por escritores islâmicos como por escritores cristãos, mas os persas, por eles mesmos, sempre negaram isso. Eles não são dualistas, mas monoteístas de um lado e politeístas do outro lado. Ormuzd sozinho é cultuado como o deus supremo. Seu reinado é coextensivo à luz, à bondade; ele abarca toda pureza das existências na terra e no Céu.

O domínio de Ormuzd tem três ordens: A primeira é Amshaspands ou dos sete espíritos imortais, que Ormuzd, nele mesmo, é um deles. Ele criou os outros seis e regula todos eles. A segunda ordem é a das vinte e oito Izeds e a terceira, uma inumerável quantidade de espíritos inferiores chamada os Fereurs. Os Izeds são os guardiões espirituais da Terra; por eles é abençoada e feita frutuosa. Eles são também juízes do mudo e protetores dos pios. Toda embarcação tem um Amshaspands ou Ized; mesmo cada hora do dia tem um Ized como seu protetor. Eles são os observadores dos elementos; os ventos e as águas estão submetidos a eles. Os Fereurs são sem-número porque o ser não tem limitações. Eles são coextensivos com a existência; sendo como se eles fossem parte do ser universal que, através deles, faz-se presente sempre em todo lugar. Os Fereurs são os ideais – protótipos ou padrões das coisas visíveis. Eles vem de Ormuzd e tomam forma no universo material. Por eles cada um e toda a natureza vive. Eles realizam ofícios sagrados no grande templo do universo. Como altos dignatários, eles apresentam as orações e oferecimentos a Ormuzd. Eles olham pelos pios em vida, recebem seus espíritos que se foram na morte e os conduzem pela ponte que passa da Terra ao Céu. Os Fereurs constituem o mundo ideal, já que todas as coisas possuem o seu Fereur, desde Ormuzd até a existência mais baixa. O eterno ou o próprio-existente expressa a si mesmo no mundo pelo todo-poderoso e essa expressão do ser universal é o Fereur de Ormuzd. A lei tem o seu Fereur que é o seu espírito. É o que é conhecido pela palavra Deus. No julgamento de Ormuzd, o Fereur de Zoroastro é um dos mais bonitos ideais, porque Zoroastro preparou a lei.

Mas há um outro reinado abaixo do de Ormuzd, rei da luz. É o reinado de Ahriman, o senhor da escuridão. Ele não é adorado como deus, mas possui grande poder sobre o mundo. O esforço dos persas para resolver o problema do mal é visto nessa ideia do reinado da escuridão. Isso emerge face a face com o reinado da luz. Não há a não-esperança da existência humana que nós achamos no budismo; mas há a declaração que o mal é inseparável do ser finito. A velha pergunta foi respondida: “O que é o mal?” Como ele que criou a luz pode também criar a escuridão? Se ele foi bom e a reconectou para fazer o reino da bondade, como ele também pode fazer o reino do mal? A resposta é: Não veio da vontade do eterno. A criação do reino do mal e das trevas foi um inevitável resultado da criação do reino da luz e da bondade. Como uma sombra acompanha um corpo, assim o reino de Ahriman acompanha o de Ormuzd. Os dois reinos embora opostos, um ao outro, tem uma organização similar. Um é a contrapartida do outro. Na cabeça do reino do mal está Ahriman. Então, sete Erz-dews e uma inumerável multitude de Dwes. Eles foram criados por Ahriman cujo único e grande propósito foi a oposição ao reino de Ormuzd. Quando a luz foi criada, então Ahriman veio do sul e misturou os planetas. Ele penetrou por entre as estrelas fixas e criou o primeiro Erz-dwe, o demônio da inveja. Esse Erz-dwe declarou guerra contra Ormuzd e a longa batalha teve início. Como na Terra, bestas-feras lutam contra bestas-feras, assim, espíritos guerreiam contra espíritos. Cada um dos sete Erz-dwes tem seu especial antagonista entre os Amshaspands. Eles são do norte e são ligados aos planetas; mas como poderes e dignatários no reino de Ahriman, eles recebem a homenagem dos Dews inferiores e são servidos por eles como os Izeds são servidos pelos Fereurs. A existência do reino da escuridão é uma acidente na criação – uma circunstância que surge da manifestação do infinito mesmo, como o finito Ele permite o mal continuar, não porque seja muito forte para ele, mas porque fora dele, ele pode evocar uma bondade maior. A limitação será finalmente removida. A discórdia entre luz e escuridão acabará. O reconciliador aparecerá e então, começará um reino eterno de luz sem escuridão e pureza sem mancha. Os espíritos de Ahriman serão aniquilados. De acordo com algumas representações, o chefe deve ser aniquilado com eles; mas outras pensam que ele continuará a reinar sem um reino. Agora os Izeds esperam pelas almas afastadas e as preservam para o dia final; eles devem então, ir adiante e serem purificados com fogo. Eles devem passar por montanhas de lava incandescente e ir adiante sem hesitação e sem parar. Ahriman deve ser lançado na escuridão e o fogo dos metais deve consumí-lo. Toda a natureza deve ser renovada. O Hades deve ir embora. Ahriman foi-se. São regras de Ormuzd. O reino da luz é um e tudo. Mas quem é o reconciliador? Mitra, o deus homem. Ele é deus e ainda está na forma de um homem. Todos os atributos de Ormuzd são concentrados numa forma humana e fazem Mitra. Ele é o fogo, a luz, a inteligência, a luz do Céu. Para os persas o fim de toda religião é tornar-se luz. Em toda natureza, a religião clama pela vitória da bondade contra o mal. Ela crava a luz para o corpo e para o espírito, luz para guiar a casa, luz para regular o estado. Como símbolo de tudo que é bom na criação, seu choro é por luz, luz, mais luz!

Mitra é o doador da luz. Mas como distinguí-lo de Ormuzd que regula o reino da luz? Isso não é fácil de responder. Tornaria perplexo o mitólogo que quisesse achar um lugar para Mitra no panteão persa, sim, encontrar um lugar para ele de qualquer modo, sem dar a ele, atributos de Ormuzd, assim como Ormuzd tem que ter alguns atributos daquele que é inefável. Mas a perplexidade do mitólogo não quer dizer nada. É o bastante, para os persas, que Mitra é o mediador – o deus homem ou o lado humano de Deus. É o bastante, para os persas, que ele seja luz, o criador da luz, o grande defensor da luz contra as trevas e que ele finalmente alcançará a vitória, pela qual os discípulos de Zoroastro esperam por longo tempo. O Sol deve ser a sua imagem, ele é como aquele globo de fogo; é um reflexo do seu esplendor. Ele é a luz forte que vem do Eterno e ele é o princípio da luz material e do fogo material. Além do mais, os persas dizem em suas oferendas à chama sagrada, “Deixem-nos cultuar Mitra.”

Quando o mundo finito foi criado, a escuridão colocou-se em oposição ao Mitra, mas essa oposição é posicionada apenas no tempo. É a batalha do dia contra a noite; o lado da luz do ano lutando com o lado escuro; piedade guerreando contra impeiedade, virtude contra vício. O Eterno apenas criou a luz, mas a escuridão despontou e como o mundo emana dele, ele não pode deixá-la. Como Mitra, ele media e trabalha para alcançar a vitória. Nós vemos o grande Sol brigando e lutando, todo ano, sim, todo dia, ele obtém uma vitória nova e se purifica da mancha da escuridão. Isso não é Mitra? Qual o outro poder está nesse Sol a não ser a luz inteligente que luta contra a escuridão? Há esse princípio poderoso do certo que está lutando pela vitória; há esse eterno esplendor que se espalha e que é muito forte para a escuridão e antes disso todas as manchas devem desaparecer e todas as sombras irem embora. O reino da escuridão deve, ele mesmo, ser iluminado pela luz do Céu. O Eterno receberá, de novo, o mundo nele próprio. O impuro deve ser purificado e o mal feito bondade pela meditação de Mitra, o reconciliador de Ormuzd e Ahriman. Mitra é a bondade, seu nome é amor. Em relação ao Eterno, ele é a busca da graça; em relação ao homem, ele é o doador da vida e o mediador.

Ele trouxe a palavra como Brahma trouxe os Vedas, da boca do Eterno. É ele que fala nos profetas, é ele que consagra nos padres; é ele a vida do sacrifício e o espírito dos livros da lei. Nos heróis, ele é o que é heróico, nos reis é o que é nobre; no homem ele é homem. Há uma representação de Mitra da antiga escultura persa. Ele é um homem jovem prestes a cravar uma faca no touro equinocial. Deus condescendente aos limites de tempo e espaço, tornou-se incorporado ao mundo, identificando-se com a natureza perene. Então, por um acaso de auto-sacrifício que origina vida, ano após ano, a vida na natureza traz uma vítima para as estações.

A criação é, às vezes, descrita como Mitra e, às vezes, como Ormuzd. Deus aparece e fala a palavra “Honover”. Através dessa palavra, todas as coisas vivas são criadas. O progresso da criação avança como Ormuzd continua a pronunciar a palavra e é mais audível quanto mais a criação torna-se viva. Do Céu invisível que ele habita ele criou o céu em volta no espaço de 45 dias. No meio do mundo, sob o dwelling de Ormuzd, o Sol está colocado. A Lua surge e brilha com sua luz mesma. Uma região é endereçada a ela, na qual ela produz verdura, dá calor, vida e contentamento. Abaixo, é colocado o céu de estrelas fixas de acordo com os signos do zodiaco. Então os altos espíritos foram criados – os Amshaspands e os Izeds. Em 70 dias, a criação do homem foi completada e, em 375 dias, tudo foi criado por Ormuzd e Ahriman.

Honover, a palavra criadora “Eu sou” ou “Deixe estar”, é o elo que faz, de tudo, um só. Ela une terra e céu, o invisível ao invisível, o ideal ao real. Um período pode ser assinalado para a criação, mas, na verdade, a criação é eterna. Ormuzd tem criado sempre. De momento a momento, em eras eternas, a palavra tem sido dita pelo Infinito, pelos Amshaspands, pelos Izeds, pelos Fereurs, por todos os espíritos através da natureza. Esse é o mistério pelo qual e do qual o mundo ideal tem a sua existência. É o grau de todos os seres, o centro de toda vida, a busca de toda prosperidade. A lei de Zoroastro é a incorporação da lei de Ormuzd; desse modo, o Zend Avesta, ele mesmo, é chamado palavra viva.

Nesse Honover misterioso, os originais e os padrões das coisas visíveis existiram eternamente. Aqui nós captamos um reflexo do significado do culto simbólico da Pérsia. Considerando todas as coisas visíveis como cópias do invisível, o ideal foi cultuado através da sensibilidade. Orações são endereçadas ao fogo e à luz, ao ar e à água, porque os originais deles foram do mundo de Ormuzd. Mas principalmente ao fogo; templos foram erigidos à sua consagração; liturgias colocadas em seu culto; o fogo sagrado foi seguido antes do rei; ele queima religiosamente em todas as casas e em todas as montanhas. Não que a adoração seja diretamente e fortemente ao mero elemento material, mas sim à divina e forte existência cujo fogo é uma cópia, o símbolo, a representação visível. O que é o fogo? Espírito manifesto; matéria em sua passagem para o não-visto. O que é a luz? Quem pode descrever o esplendor que irradia no mundo? Não é a reiteração da majestade de Ormuzd, a efulgência do intelecto do infinito, tudo abarcando o Um?

Esse simbolismo é visto em toda natureza e em todas as formas da vida social e civil dos persas. O monarca iraniano é uma cópia do monarca do universo. Há sete ordens correspondendo aos sete Amshaspands. Há graduações e rankings que são todos misturados em um. Assim como no Estado, assim é, na família; ela é moldada a partir do padrão de coisas estabelecido. No mesmo princípio, todos os animais são divididos entre Ormuzd e Ahriman. Eles são classificados como úteis e peçonhentos, limpos e sujos. Como os reinos da luz e da escuridão tem seus chefes, assim também os reinos animais tem seus protetores e líderes. O unicórnio representa uma das puras bestas de Ormuzd, enquanto o símbolo representativo do reino de Ahriman foi um monstro – em parte um homem, em parte um leão e em parte um escorpião. Os observadores e a visão de grande alcance dos espíritos foram simbolizados por pássaros: eles pertencem à pura criação e são inimigos de Ahriman. Ormuzd foi representado pelo falcão e pela águia, cujas cabeças são supostamente imagens do tempo eterno. O dragão-serpente é Ahriman; seus espíritos são dwes e o seu símbolo é o Griphon, habitando as fendas das rochas desoladas. Nesse caminho de unidade diferenciada e inteligível, os persas colocaram o ser, bem como a origem de todas as coisas, no Um Impessoal.

O autor da introdução* da versão em inglês do Zend Avesta encontra, na religião persa, a mistura de muitos pensamentos arianos e semíticos. “A origem”, ele diz, “de muitos deuses e heróis que os persas cultuam e exortam, sem saberem quem são ou de onde eles vieram, foi subitamente revelada pelos Vedas. A religião dos magos foi o desenvolvimento iraniano da religião indiana e faz o segundo estágio do pensamento ariano. O supremo ou deus do céu foi Varana, uma divindade védica, o todo abraçando o céu. Os atributos espirituais do deus do céu foram diariamente se tornando mais e mais fortes e definidos e seus atributos materiais foram mais e mais colocados como pano de fundo. Embora, ainda, muitas características traiam essa formação, no corpo ou na natureza do céu. Ele é branco, brilhante, visto além e seu corpo é o melhor e o maior de todos os corpos. Ele tem o Sol como seu olho, as asas como bases, o fogo da iluminação por seu filho. Ele vete os céus como o branco enfeita o vestuário.”

 

  • James Dermestcter

 

 

Livre Tradução do escritor e artista visual Mauricio Duarte (Divyam Anuragi) do livro Pantheism and Christianity . John Hunt . 1884 . Religião Persa

 

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