Alves dos Santos - Colunista

Alves dos Santos - Colunista

Alves dos Santos nasceu a 4 de Fevereiro de 1978 na cidade sul-africana de Johannesburg mas fez-se gente em Machico, terra onde os descobridores portugueses da bela Ilha da Madeira primeiro firmaram pé.

Aí fez os primeiros anos de escola, sempre rodeado de livros – uma paixão que despertou bem cedo, em forma de leitura compulsiva. Mas deixou-se igualmente encantar pelas ciências exatas, tendo prosseguido os seus estudos nessa área na cidade do Funchal e posteriormente ingressado num curso de Engenharia na faculdade de referência em Lisboa.

Foi sobretudo o choque com a saída precoce da sua Ilha e o confronto com a realidade não raras vezes solitária de uma metrópole como Lisboa, que o fez passar da leitura para a escrita.

Alves dos Santos define-se como um escritor que tanto se expressa em Poesia como em Prosa e que se inspira com as realidades do quotidiano.

Tem várias participações em Antologias Poéticas e publicou em 2014 o seu primeiro livro a solo intitulado ‘Poemas de Amor e Outros Labirintos’.

 

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Alves dos Santos - Colunista

Tantra - por Alves dos Santos

Tantra   Através da porta entreaberta Um primeiro vislumbre da luz suave e quente Que emana do interior daquele local de culto E me atrai sem hesitações   Na posição de lótus Com os cabelos soltos caindo pelas costas desnudadas A deusa transfigurada mulher Converte aquele profano chão em...

Último Dia - por Alves dos Santos

Último Dia   Este é o meu tempo presente Ausente uma linha de coerência Consequência de decisões conscientes Várias indecisões E demasiadas faltas de comparência   Ainda assim Pensando no que podia ter sido Sem mágoa! Um sorriso que se solta Pelas infinitas possibilidades Que poderia ter...

A Ilha - por Alves dos Santos

A Ilha   A minha terra! Chega até mim Em ecos distantes De uma ausência presente Que me inquieta a alma   …com o sentir do ar adocicado beijando o meu rosto Docemente…docemente   …com o som da água das levadas segredando ao meu ouvido Suavemente…suavemente   …ou ainda com a...

Devaneios - por Alves dos Santos

Devaneios   E se tudo não passasse de um sonho Aguardando um despertar ao teu lado?   E se essas mãos que afastam Fossem as mesmas que me procuram   E se as lágrimas que escorrem pelo teu rosto Fossem só de felicidade?   E se este teu doce beijo Não fosse de despedida?   E...

Clã - por Alves dos Santos

Clã   Vamos formar um novo clã Gerar uma nova linhagem Forjar um inédito brasão de armas Unirmo-nos em novos laços de sangue   Vamos construir uma ponte para o futuro Atirarmo-nos de cabeça Lançarmo-nos em queda livre Levarmo-nos para fora de pé   Vamos criar um outro mundo Desenhar...

A Rosa dos Ventos - por Alves dos Santos

A Rosa dos Ventos   Deixa-me ficar no refúgio dos teus braços Sossega por mais um instante Na escala temporal será um nada Que passará num ápice Mas para mim significará o tempo de uma vida completa Entre renascer no teu abraço e morrer assim que ele se desfaz E assim vou medindo a minha...

Essências - por Alves dos Santos

Essências   Se mesmo sem versos, Sem palavras,  E sem significados, A Poesia existe e resiste De onde vem Ela? Quem conhece os Seus predicados? E o que A sustém? A Poesia vem de quem a Gera e de quem a Sente!   Há Poetas que o São Sem nunca terem escrito uma palavra Fazem Poesia por...

Desvario Amoroso - por Alves dos Santos

Desvario Amoroso   Quero olhar-te como se fosse a primeira vez Quero continuamente me surpreender com a pessoa que és Quero um amor sem rotinas Um amor que é tudo ou nada Que é libertação ou devastação Que me dê razão para viver Ou me tire de todo a razão   Quero olhar-te como se o tempo...

Cegueira - por Alves dos Santos

Cegueira   Abri os olhos E vi o mundo Tal como ele sempre foi Ou se tornou Nem sei bem Sei apenas que agora É tudo ganância e ambição É tudo oco e vão Sei apenas que agora Perante estes meus olhos Cada vez mais cansados E arregalados de espanto Foge-me este mundo Que eles insistem em...

Babel - por Alves dos Santos

Babel   Era um tempo novo Era um tempo estranho Todos queriam falar Todos tinham algo para contar Mas ninguém parava para ouvir Ninguém ouvia ninguém Ninguém sequer se escutava a si próprio Não havia tempo para si nem para o outro Era um tempo invulgar O sangue corria-lhes pelas veias Mas não...

A Espera - por Alves dos Santos

A Espera   Em que momento a espera se torna um fim?   Sinto chegar esse momento Como se fosse um perdigueiro Todo o meu corpo me alerta para a sua chegada Cada um dos meus sentidos Desvairadamente me desperta Numa confusão de sinais que não cessam   Eis o momento em que a espera se...

A Cabana - por Alves dos Santos

A Cabana   Foi com ventos enchendo as velas Que demos um dia a esta praia Estendida a nossos pés Onde erguemos a nossa cabana Onde ousámos dar asas aos nossos sonhos E voámos com eles E desbravámos veredas Fizemos vista grossa aos perigos Do precipício inventámos passagem Fomos Deuses Senhores...

Trilhos - por Alves dos Santos

Trilhos   Nunca tive a presunção de te conhecer Não mais que superficialmente Conheci-te pela rama sem nunca chegar às tuas raízes Sempre com a sensação que te perdias em trilhos só teus Onde vivias uma vida inventada por ti e para ti E entretanto aguardavas E aguardavas E eu não sabia o...

Ziguezaguendo - por Alves dos Santos

Ziguezaguendo   Portas que se abrem Sem que eu saiba se ou quais Devo atravessar Rumo ao meu futuro   Portas que se fecham com estrondo E no sobressalto me fazem ansiar Pelo que ficou para trás   Portas escancaradas Que me puxam irresistíveis Para um universo de caos   Portas...

Volatização - por Alves dos Santos

Volatilização   Vou volatilizar-me Vou transformar a essência do meu ser Num gás invisível e inodoro Que de forma indolor Se misturará com o ar que respiras   Vou deixar-te respirar-me Vou entrar furtivamente no teu corpo E de forma inocente Irei possuir-te por dentro e por...

Nada - por Alves dos Santos

Nada   Eu que vim do nada E que nada sou Corro para o nada Como quem nada quer E a quem nada satisfaz   Queimando tempo Com pequenos nada Na ansia que entre tanto nada Algo novo surja Que me faça acreditar Que todo esse anterior nada Teve razão de ser   E até que por fim Regresse ao...

Andanças - por Alves dos Santos

Andanças   Sentes-te pronta? A viagem será alucinante E a partida está iminente O rumo? Esse ditá-lo-á o acaso   E através de percursos difusos Irei testar o teu sentir Desafiar a tua razão Questionar as tuas certezas   Far-te-ei mesmo duvidar da tua lucidez E da sanidade das minhas...

Silenciosamente - por Alves dos Santos

Silenciosamente   Neste silêncio Que se faz sentir com todo o seu peso Que vozes ecoam em mim?   Que memórias preenchem o espaço que sinto vago?   Que sons são estes que retinem numa insistência alarmante?   Forço-me por afastar estas lembranças, que numa...

A Poetisa - por Alves dos Santos

A Poetisa   São tuas São tuas as palavras Soltas Despojadas Espontâneas Arrojadas   São essas mesmas palavras Tuas Verdadeiras Sentidas Cruas   Que em mim encontram abrigo Perdido Esfaimado Descrente Esgotado   E me transformam no seu lar Onde...

Lusco-Fusco - por Alves dos Santos

Lusco-Fusco   Sentado Fazendo tempo Enquanto a noite cai E até o sol parece ter destino Deixando atrás de si Apenas um rasto alaranjado   Observo parado A correria à minha volta: Pessoas com passo apressado E carros perfeitamente acelerados   Coloco em questão O porquê de tanta...

Esquizofrenia - por Alves dos Santos

Esquizofrenia   O meu mundo não é este mundo O meu mundo não sei se já foi implodido Ou se vivo aqui por engano Aguardando um mundo que ainda não foi construído   O meu tempo não é este tempo O meu tempo não sei se já cessou Ou se pelo contrário ainda está para vir Por agora mantenho-o em...

Espaço Sideral - por Alves dos Santos

Espaço Sideral   Paulatinamente - Indiferente a qualquer vontade - Fui atraído ao teu sistema solar Por essa força da gravidade Que é a tua cativante personalidade   De corpo celeste errante Transformei-me em mais um planeta Que circula na tua órbita De forma previsível e...

Cenário de Guerra - por Alves dos Santos

Cenário de Guerra   Mercenários de uma guerra Que não sinto como minha Tingirão ainda assim de vermelho sangue esta terra Numa carnificina que se adivinha   Batalhões de jovens soldados Sôfregos de acção São estacionados em máxima prontidão Ignorando que os seus curtos destinos estão já...

A Miragem da Vida ou A Maçadora Caminhada - por Alves dos Santos

A Miragem da Vida ou A Maçadora Caminhada   A vida começa no dia em que, Tomando consciência do mundo Tomamos consciência da nossa existência E, perdidos no centro do deserto, Virgem, sem trilhos nem caminhos, Rodeados por apenas uma imensidão de dourada areia Perdemos o equilíbrio, a inata...

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